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Fundador do Partido das Baratas é solto na Índia um dia após ser detido em Nova Délhi

Abhijeet Dipke assinou termo de compromisso e pagou fiança de 50 mil rúpias; o movimento pede a saída do chefe da Comissão Eleitoral, acusado de favorecer o partido de Modi.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 16:06 · 2 min de leitura

Foto de Ramesh Lalwani, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0), ilustrando o tema da matéria.
Foto: Ramesh Lalwani / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A polícia de Nova Délhi soltou neste sábado (17) Abhijeet Dipke, fundador do Partido Popular das Baratas (Cockroach Janata Party, CJP). Ele havia sido preso um dia antes, durante uma repressão policial a protestos contra a autoridade eleitoral.

Dipke, 31 anos, foi detido na sexta-feira (16) quando seguia para um ato convocado pelo CJP em Connaught Place, no centro da capital.

O caso não tem efeito direto no Rio Grande do Sul. Ele mostra como o direito ao voto virou o centro da disputa política na Índia, onde a oposição acusa a Comissão Eleitoral de ter excluído eleitores em massa.

Liberação veio com termo de compromisso

Um magistrado executivo especial ordenou a soltura de Dipke em Nova Délhi. Segundo a polícia, ele assinou um termo de compromisso para manter a paz e o bom comportamento por um ano, com fiança de 50 mil rúpias indianas. A chefe do departamento jurídico do CJP, Ratna Singh, afirmou que ele aceitou "determinadas condições", sem detalhar quais.

Dipke saiu da delegacia no sábado à tarde, acenou para a imprensa e fez sinal de positivo ao ser levado de carro. A ativista estudantil Neha Bora, detida na sexta-feira ao tentar chegar ao centro da capital com apoiadores, também foi solta neste sábado.

O ato de sexta tinha como referência o Jantar Mantar, tradicional local de protestos em Nova Délhi. A polícia proibiu manifestações ali. Os líderes do CJP Ashutosh Ranka e Saurav Das foram presos em 14 de outubro, depois de entrar no local. Dipke havia convocado o protesto em apoio aos dois.

O que está em disputa: a revisão dos cadastros

O CJP e outros grupos pedem a renúncia de Gyanesh Kumar, chefe da Comissão Eleitoral, e a suspensão da revisão intensiva especial dos cadastros. A oposição fala em manipulação das listas de eleitores durante a verificação do cadastro de cerca de um bilhão de pessoas.

Analistas políticos estimam que 130 milhões de nomes foram retirados da lista desde o início da rodada atual de revisões.

A Comissão nega favorecimento ao Partido Popular Indiano (BJP), legenda do primeiro-ministro Narendra Modi, e diz que quem foi excluído por engano pode se recadastrar. Kumar nega todas as acusações. Segundo as autoridades, a revisão serve para eliminar registros fraudulentos, duplicados e de pessoas falecidas.

Críticos afirmam que as minorias, sobretudo os muçulmanos, foram atingidas de forma desproporcional. Integrantes do BJP alegam há tempos que muitos imigrantes muçulmanos sem documentos, vindos de Bangladesh, entraram de forma fraudulenta nos cadastros eleitorais.

O partido também acusou a oposição e "potências estrangeiras" de tentar desestabilizar o país.

Novos atos neste sábado

O CJP foi fundado em 16 de maio de 2026 por Dipke, estrategista de comunicação política e ativista. O movimento reúne jovens da geração Z. Ele já havia liderado protestos que duraram semanas e terminaram com a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, em julho. Grupos estudantis convocaram novos atos em Nova Délhi para este sábado.

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