Comissão da ONU diz que Israel segue cometendo genocídio em Gaza mesmo com cessar-fogo
Relatório também acusa forças israelenses de extermínio, tortura e estupro na Cisjordânia; Israel rejeita as conclusões e chama o documento de campanha de desinformação.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

Uma comissão de inquérito independente designada pela ONU concluiu que Israel continua a cometer atos genocidas em Gaza, mesmo depois do acordo de cessar-fogo. O relatório foi divulgado nesta segunda (26). O texto também afirma que Israel cometeu crimes de guerra e crimes contra a humanidade, como extermínio, perseguição, tortura, estupro e outras formas de violência sexual no Território Palestino Ocupado.
Trata-se de uma conclusão de investigadores, não de uma sentença. A comissão não é um tribunal e, segundo a Al Jazeera, não fala em nome da própria ONU. O material pode, porém, ser usado como base de provas: promotores do Tribunal Penal Internacional (TPI) ou de outras jurisdições podem se valer dele para buscar justiça às vítimas e a seus familiares.
O que o relatório afirma sobre Gaza
Segundo o documento, autoridades e forças israelenses seguem cometendo atos genocidas mesmo após o chamado cessar-fogo, com a intenção de destruir o povo palestino, no todo ou em parte. O cessar-fogo tem cerca de um ano.
Grande parte do dano vem do avanço de Israel para áreas mais profundas de Gaza nesse período, diz o texto. Segundo a comissão, o controle israelense sobre o território subiu de 53% para pelo menos 60%. Disparos ao longo dessa frente mataram ao menos 196 palestinos, entre eles 18 mulheres, 32 meninos e 11 meninas.
Acusações na Cisjordânia
O relatório registra que seis palestinos morreram em ataques aéreos na Cisjordânia entre 2008 e 6 de outubro de 2023. Entre 7 de outubro de 2023 e 30 de setembro de 2026, foram 254. Para a comissão, operações militares israelenses, reforçadas pela violência de colonos, formam um ataque generalizado e sistemático contra civis. Os investigadores concluem que palestinos são alvos por nacionalidade, raça, etnia, gênero e idade.
Israel rejeita o relatório
A missão de Israel em Genebra respondeu que o relatório é "mais uma manifestação de sua campanha de desinformação" para demonizar o país. O embaixador israelense em Genebra, Daniel Meron, falou em tentativa de destruir o Estado judeu e negar seu direito fundamental de existir. Israel também chamou de falsa e antissemita a conclusão do ano passado, quando a mesma comissão apontou genocídio em Gaza.
Comissão e TPI
A comissão, de três integrantes, foi criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2021. Seu presidente, Srinivasan Muralidhar, apresentará o relatório à Terceira Comissão da Assembleia Geral da ONU nesta semana.
No TPI, o líder israelense Benjamin Netanyahu tem mandado de prisão por crimes de guerra e contra a humanidade. O relatório saiu às vésperas da eleição geral em Israel, marcada para terça (27).
A apresentação do relatório à Assembleia Geral da ONU, em Nova York, está prevista para esta semana. A eleição israelense será na terça (27).
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