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China rebate veto dos EUA à DeepSeek e promete defender suas empresas

Ordem do Departamento de Segurança Interna atinge só órgãos civis federais, mas alcança também programas de terceiros feitos com a tecnologia chinesa.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

Autoridades conversam durante reunião de componentes do Departamento de Segurança Interna dos EUA, na sede do órgão em Washington, em 27 de agosto de 2025.
Foto: DHSgov / Wikimedia Commons (Public domain)

A China criticou nesta terça (20) a ordem dos Estados Unidos que manda agências civis federais tirarem a inteligência artificial da DeepSeek de seus sistemas. A porta-voz da chancelaria chinesa, Mao Ning, disse que Pequim se opõe à ampliação excessiva do conceito de segurança nacional e à politização de temas de ciência, tecnologia, economia e comércio. Ela afirmou que a China vai defender os direitos e interesses legítimos de suas empresas.

Para quem vive no Rio Grande do Sul, a medida não cria obrigação direta. A ordem vale só para agências civis federais; empresas privadas, usuários individuais e governos estaduais ficam fora. O reflexo possível é indireto: companhias gaúchas que vendem ou prestam serviço a clientes americanos sujeitos a essas regras podem ouvir exigências em contratos.

O que a ordem determina

O Departamento de Segurança Interna (DHS) dos EUA assinou a Exclusion and Removal Order #2026-01 em 24 de julho. O Federal Register a publicou em 20 de outubro. A base legal é a Lei de Segurança da Cadeia de Suprimentos de Aquisições Federais, de 2018. O texto foi emitido após recomendação do Conselho de Segurança de Aquisições Federais.

A ordem exclui das compras civis federais os produtos e serviços da Hangzhou DeepSeek Artificial Intelligence e de afiliadas. Também manda remover dos sistemas de TI tanto os produtos da empresa quanto os de terceiros desenvolvidos com implementações da DeepSeek. Isso inclui programas de outras empresas que usem os modelos chineses. O texto não lista quais produtos de terceiros estão incluídos.

Justificativa é de risco

O aviso aponta que os modelos da empresa "apresentam múltiplos vetores de ameaça". Entre as preocupações estão os servidores na China e a possibilidade de autoridades chinesas acessarem infraestrutura privada e dados sensíveis dos EUA. O DHS cita ainda o risco de transferência de dados à China, a geração de inteligência sobre cidadãos e órgãos americanos e a possível presença de código malicioso. Os riscos citados são potenciais: o DHS não divulgou prova de acesso chinês a dados federais por meio da DeepSeek.

A DeepSeek não respondeu de imediato ao pedido de comentário. Não há anúncio de retaliação chinesa.

A ordem entra num cenário de atrito tecnológico. Restrições lideradas pelos EUA ainda impedem a China de acessar alguns dos chips de IA mais avançados do mundo e as máquinas que os fabricam. Os dois países também avançaram em algumas frentes de cooperação em governança de IA, mas seguem em desacordo em vários temas.

Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping devem se encontrar em meados de novembro, à margem da cúpula da Apec, em Shenzhen, na China.

Serviço

A ordem foi publicada no Federal Register em 20 de outubro. Agências e fornecedores podem pedir exceção em até 60 dias, contados da emissão da ordem.

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