União garante R$ 7 bilhões em crédito dos Correios; Tesouro cobre se estatal não pagar
Despacho do ministro da Fazenda, Dario Durigan, saiu no Diário Oficial da União e liga a nova dívida ao plano de reestruturação 2025-2027 da estatal.
Por que afeta o RS: Os Correios são estatal federal com operações em todo o estado, e o risco da dívida recai sobre o orçamento da União.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, autorizou a concessão de garantia da União para um empréstimo de R$ 7 bilhões aos Correios. O despacho foi publicado nesta quarta-feira (28) no Diário Oficial da União. O crédito virá de um consórcio formado pelos bancos ABC Brasil, Citibank, Deutsche Bank e JP Morgan.
Com a garantia, o Tesouro Nacional poderá assumir o pagamento das parcelas caso os Correios não consigam cumprir as obrigações. A estatal tem agências e entregas em todo o Rio Grande do Sul, e eventual calote seria coberto pelo orçamento federal.
Despacho liga o dinheiro ao plano 2025-2027
Durigan assinou o despacho na terça (27). O contrato de financiamento ainda será celebrado entre os Correios e os quatro bancos, e os recursos se destinam ao Plano de Reestruturação dos Correios 2025-2027. A autorização levou em conta manifestações da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
O ministro cita como fundamento o artigo 97 do Decreto nº 93.872/1986 e o artigo 1º, inciso II, da Lei nº 10.552/2002. O despacho ressalva que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ainda deve verificar o artigo 2º, parágrafo 6º, incisos II e III, da Portaria Normativa MF nº 500, de 2023.
Prazo de 15 anos e carência de três
A operação terá custo de 114,84% do CDI. A estatal terá 15 anos para quitar o empréstimo, com três anos de carência. Se os Correios forem privatizados, o saldo devedor restante deve ser pago antecipadamente. A previsão é liberar R$ 5 bilhões na assinatura do contrato e os R$ 2 bilhões restantes até dezembro.
Prejuízo de mais de R$ 5,5 bilhões no semestre
Em 2025, os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões. Só no primeiro semestre de 2026, o resultado negativo somou mais de R$ 5,5 bilhões. Em dezembro de 2025, a estatal já havia contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia da União, para reforçar o caixa e pagar compromissos como salários e fornecedores.
A formalização do aval era esperada desde setembro. O plano de reestruturação inclui, além da captação, medidas para reduzir despesas, ampliar receitas e vender ativos.
Com a garantia publicada, o próximo passo é a assinatura do contrato entre os Correios e o consórcio de bancos. É nesse momento que está prevista a liberação dos primeiros R$ 5 bilhões.
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