🔍
Urgente Moscou não confirma cessar-fogo de energia de Trump; 11 marinheiros somem no Mar Negro
Quarta-feira, 14 de outubro de 2026 · Edição para POA19°C 🌧Redação em operação
PolíticaBrasil

TSE não acha fake news no canal de Janones, mas vê risco de disseminação em massa

Relatório cobre publicações de 2 a 11 de outubro; Janones admite ter apagado mais de 500 mensagens, e Nunes Marques autorizou a retomada do canal na terça (13).

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:24 · 3 min de leitura

TSE não acha fake news no canal de Janones, mas vê risco de disseminação em massa
Foto: Divulgação/Agência Brasil

A área técnica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não encontrou, no canal "Exército do Lula" no WhatsApp, as publicações falsas apontadas pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL). O relatório foi elaborado na segunda (12), a pedido do presidente do tribunal, ministro Kassio Nunes Marques. Ele alerta para o risco de disseminação coordenada de informações falsas às vésperas do segundo turno. A votação é em 25 de outubro.

O canal é administrado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) e tem mais de 4 milhões de seguidores em todo o país. O que circula nele até a eleição pode chegar a eleitores de qualquer estado, inclusive do RS. Por ora, o canal segue autorizado a funcionar, com monitoramento do próprio TSE.

Relatório aponta mobilização coordenada no canal

A análise é da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação, chefiada por Frederico Alvim. Ela considerou publicações feitas entre 2 e 11 de outubro. Nesse período, a área técnica não localizou reproduções das afirmações examinadas no processo. O relatório faz uma ressalva: ficaram de fora os vídeos que não foram transcritos por causa da urgência.

O primeiro risco apontado é o alcance potencial das mensagens. Também pesam o volume de encaminhamentos e as orientações para que os seguidores compartilhem conteúdos ao mesmo tempo em várias plataformas. O texto registra ainda o uso recorrente de linguagem polarizadora, que tende a criar uma lógica de confronto.

Como medida preventiva, Nunes Marques mandou o setor de combate à desinformação monitorar o canal. O setor deve avisar se encontrar conteúdos já enquadrados como fake news, em especial os do caso Nossa Senhora e os que ligam Flávio à milícia. A Meta, dona do WhatsApp, também deve fazer esse acompanhamento.

Janones admite ter apagado mensagens

Segundo o relatório, mensagens publicadas em setembro começaram a ser apagadas em 7 de outubro. Isso dificultou a reconstrução do histórico do canal.

A campanha de Flávio apresentou um levantamento com 499 mensagens excluídas. Para a campanha, isso explica por que a perícia não achou fake news. Pelo levantamento, entre os conteúdos apagados havia acusações de crimes contra o ministro do TSE André Mendonça. Também havia afirmações de que Flávio cortaria aposentadorias e acabaria com benefícios como o BPC. A campanha questionou ainda a análise técnica, que teria se limitado a textos, prévias de links e áudios transcritos, sem o conteúdo integral dos vídeos.

Janones confirmou as exclusões em entrevista na Câmara dos Deputados, na terça (13). Disse que apagava as mensagens depois que os seguidores cumpriam as "missões" de compartilhamento. "Quando a missão era cumprida, eu apagava para não deixar poluído", afirmou. "Existe o registro do que foi apagado." Ele nega ter publicado fake news no canal e disse que parou de excluir mensagens para evitar questionamentos.

Meta tem 24 horas para responder ao TSE

No domingo (11), Nunes Marques mandou a Meta suspender o canal. O corregedor-geral eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reverteu a ordem no mesmo dia e levou o caso ao plenário do TSE. Na terça (13), Nunes Marques voltou a suspender o canal porque o endereço não tinha sido comunicado formalmente à Justiça Eleitoral.

Mais tarde no mesmo dia, o presidente do TSE autorizou a retomada, depois que a campanha de Lula registrou o canal na Justiça Eleitoral. A reativação só ocorre 48 horas depois do registro. A autorização pode ser revista depois que o WhatsApp se manifestar sobre as novas alegações da campanha de Flávio. Janones disse que vai cumprir as decisões do TSE e recorrer das que contestar.

A Meta tem 24 horas para responder às alegações da campanha de Flávio, incluindo a exclusão das 499 mensagens. O processo, movido pela campanha de Flávio, também pede a cassação do mandato de Janones.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também