Trump suspende sanções e tarifas da Lei Graham contra a Rússia; Moscou comemora
Ordem assinada na sexta (16) dispensa tarifas de até 100% sobre grandes compradores de petróleo russo, uma semana após o acordo do diesel; Zelensky critica e pede mais de US$ 70 bilhões à Europa.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 10:25 · 4 min de leitura
Atualizada 17/10, 10:26 · Material da AFP traz o pedido de Zelensky de mais de US$ 70 bilhões à Europa para 2027, a reação de Macron, a retomada dos ataques ucranianos a refinarias russas, as restrições da SpaceX à Ucrânia e a possível reunião de Kiev com negociadores americanos.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou na noite desta sexta (16) uma ordem executiva que suspende sanções, restrições e tarifas da Lei Lindsey O. Graham contra a Rússia. A ordem saiu dois dias antes do prazo para a lei entrar em vigor e invoca os interesses nacionais dos EUA.

A suspensão afeta principalmente o setor energético russo e os países que compram seu petróleo e gás.
A lei obrigava Trump a elevar em até 500% as tarifas sobre produtos russos. Também previa taxar em até 100% países como China e Índia, entre os cinco maiores compradores de petróleo ou gás da Rússia. Esses dois pontos estão entre os suspensos.
O que a ordem preserva
A suspensão não revoga a lei nem as punições anteriores. A ordem mantém as sanções que já valiam por ordens executivas anteriores.
O texto não detalha por que a medida atende ao interesse nacional. Ela vale até o governo avaliar que "further action is appropriate", ou seja, que novas ações são cabíveis. Segundo a ordem, a aplicação das sanções, restrições e tarifas fica sem efeito nos termos da seção 4.
A lei foi sancionada em 18 de setembro. Ela também mirava Putin e outras autoridades de alto escalão, bancos russos, o setor de defesa e a "frota fantasma" de petroleiros que Moscou usa para contornar as sanções ocidentais impostas desde a invasão da Ucrânia, em 2022.
Moscou comemora, Kiev critica
Kirill Dmitriev, enviado econômico do presidente russo, Vladimir Putin, celebrou a decisão. Dmitriev, que nos últimos meses participou de conversas diretas com os americanos Steve Witkoff e Jared Kushner sobre o conflito, chamou a suspensão de "um momento importante e verdadeiramente histórico".
Ele afirmou que a aplicação da lei teria causado "sérios danos, antes de tudo, à economia dos Estados Unidos e aos mercados globais". Também disse que o diálogo econômico entre EUA e Rússia continuará.
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, reagiu em tom oposto. Para ele, a decisão "premia" Putin.
"Nos Estados Unidos, tomou-se a lamentável decisão de descartar completamente a Lei Lindsey Graham, que deveria exercer uma pressão eficaz sobre a Rússia para acabar com esta guerra. Essa lei poderia ter ajudado enormemente, e ainda pode!", escreveu Zelensky nas redes sociais.
Ele disse ainda que abrir mão das sanções e recompensar Putin financeiramente "só serve para incentivá-lo a continuar atacando".
No Congresso americano, a crítica também veio de democratas. A senadora Elizabeth Warren chamou a suspensão de falha de liderança. O senador Richard Blumenthal, que ajudou a redigir o projeto, disse que a medida tem a ver com agradar a Putin, e não com segurança nacional.
Kiev se volta à Europa
Desde o acordo do diesel, as relações entre Kiev e Washington se deterioraram. Zelensky criticou o pacto, e as forças ucranianas retomaram os bombardeios a refinarias russas, em resposta aos ataques cada vez mais frequentes de Moscou, sobretudo contra Kiev. A reação ucraniana irritou Trump.
Na sexta (16), Zelensky esteve em Bruxelas e pediu aos aliados europeus mais de US$ 70 bilhões (cerca de R$ 355 bilhões) adicionais para financiar o esforço de guerra em 2027. O presidente francês, Emmanuel Macron, disse que "é muito cedo para estabelecer um valor" e reiterou que os europeus "não abandonarão" Kiev.
A semana também foi difícil para o ucraniano por outro motivo: ele denunciou restrições ao uso dos serviços de satélite da SpaceX, empresa de Elon Musk, que são fundamentais para o sistema de defesa contra os projéteis russos.
Sem criticar Trump diretamente, Zelensky afirmou em Bruxelas que sua equipe está "em negociações" com os negociadores americanos para uma possível reunião nos próximos dias.
Diesel e eleição
A decisão vem uma semana depois do acordo do diesel. O acordo, anunciado em 9 de outubro entre Trump e Putin, permite à Rússia exportar diesel aos EUA e a outros mercados em troca de alívio nas sanções americanas.
O governo americano também suspendeu até abril de 2027 as sanções sobre exportações de diesel russo, para aliviar a falta do combustível provocada pela guerra no Irã, iniciada em fevereiro por EUA e Israel.
O preço dos combustíveis pesa na campanha. Os preços altos são tema sensível para o eleitor americano nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro, nas quais os republicanos, com maioria estreita nas duas Casas do Congresso, põem essa maioria em jogo. A Casa Branca não informou quando pretende rever a suspensão.
Atualização: a matéria incluiu o pedido de Zelensky de mais de US$ 70 bilhões à Europa para 2027, a resposta de Macron, a retomada dos ataques ucranianos a refinarias russas, as restrições da SpaceX à Ucrânia, a possível reunião de Kiev com negociadores americanos nos próximos dias e a avaliação de Dmitriev sobre os efeitos da lei.
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