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STJ exonera secretário de Tecnologia suspeito de vazar informações a amigo de Flávio

Relatório da PF enviado à PGR também compara pareceres de um subprocurador aposentado com recomendações do advogado Willer Tomaz, que nega irregularidades.

Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 16:57 · 3 min de leitura

Foto de Josue Marinho, via Wikimedia Commons, usada como ilustração da matéria sobre a exoneração no STJ.
Foto: Josue Marinho / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) exonerou nesta sexta (16) Humberto Fontoura Pradera, secretário de Tecnologia da Informação e Comunicação. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas ao advogado Willer Tomaz, amigo do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

Segundo o relatório da Polícia Federal (PF) enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR), Pradera informou Tomaz sobre movimentações internas e mandou a foto de um documento exibido na tela de um computador.

O STJ uniformiza a interpretação da lei federal para todo o país, inclusive em processos do Rio Grande do Sul que chegam a Brasília. O caso também atinge a campanha presidencial, porque Flávio é candidato e Tomaz é amigo dele.

O que o STJ diz

O presidente do tribunal, ministro Luis Felipe Salomão, tomou conhecimento dos fatos. Um procedimento interno de apuração já havia sido instaurado na semana anterior.

Como Pradera não é concursado, o servidor em cargo de confiança foi exonerado, informou o tribunal em nota.

Sobre a esfera criminal, o STJ disse que "as medidas criminais estão em andamento e são sigilosas" . O tribunal não informou quem é investigado nem em que instância o caso tramita.

Pradera chefiava a Secretaria de Tecnologia e já havia sido assessor-chefe da Assessoria de Inteligência Artificial do STJ. Pradera disse que suas permissões eram restritas e que não tinha acesso a processos em andamento. Também afirmou que não sabia da exoneração.

O que mostra o relatório da PF

Em uma das conversas, Pradera disse ao advogado que duas pessoas haviam recebido a tarefa de tratar de determinado assunto dentro do tribunal.

Em outra, ao ser perguntado sobre o número de um processo, indicou o Recurso Especial 2.122.969 e comentou os efeitos de um julgamento sobre uma tutela concedida antes. O relatório descreve a foto de um documento na tela, mas não identifica seu conteúdo.

O documento também traz conversas de Tomaz com o subprocurador-geral da República Antônio Carlos Simões Martins Soares, que se aposentou voluntariamente em março de 2026.

Uma planilha da PF compara os pareceres do subprocurador com sugestões do advogado, com trechos idênticos ou muito próximos em várias ocasiões.

Em um agravo em recurso especial, trechos de uma mensagem de Tomaz aparecem depois, de forma literal ou quase literal, em parecer. Eles citam desconto de quase 90%, o FII Eldorado, a exclusão de créditos considerados ruins, laudos sigilosos e a atuação do administrador judicial. Em outro caso, após conversa sobre uma tese ligada à gestão de conta de espólio, Soares opinou pelo provimento do recurso. Soares não se manifestou publicamente sobre a comparação.

Segundo a PF, o escritório de Tomaz tinha acesso a decisões do STJ antes da publicação.

Outro braço da apuração

O mesmo conjunto de investigações trata de Flávio Bolsonaro como "usuário master" de uma conta bancária da Alcazar Holdings, empresa administrada por Tomaz. Para os investigadores, o perfil dava "acesso operacional relevante" e sustenta a hipótese de eventual participação econômica ou societária de fato do senador na empresa.

Defesa de Tomaz

Tomaz nega ter tido acesso irregular a decisões ou a pareceres do Ministério Público Federal e nega ter interferido em manifestações. Em nota, a defesa afirma que o advogado atuou dentro da lei e das prerrogativas da advocacia. Diz ainda que desconhece o relatório e estranha o vazamento seletivo de material sigiloso em período eleitoral. A defesa informou que vai buscar acesso ao documento, demonstrar a improcedência das alegações e identificar a origem do vazamento.

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