Fandoms e jovens puxam atos pró-Lula; Flávio responde com ato na Paulista neste domingo
A Marcha pela Democracia ocupou sete quarteirões da Avenida Paulista no dia 11, e o PL prevê 20 mil pessoas no "Bloquinho do 22", às 11h de domingo (18).
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 18:09 · 4 min de leitura

Fã-clubes de artistas pop, estudantes e movimentos fora dos partidos levaram a campanha de Lula (PT) de volta às ruas depois do primeiro turno. Flávio Bolsonaro (PL) responde neste domingo (18) com um ato na Avenida Paulista, em São Paulo, a oito dias do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

Para o eleitor gaúcho, que vota no dia 25 como o resto do país, este é o último fim de semana de rua antes da eleição. Lula chega ao segundo turno numericamente atrás de Flávio nas pesquisas , e Flávio foi o mais votado no dia 4. A disputa pela rua virou parte da corrida pelos votos.
Paulista e Copacabana em dois dias
O ato pela reeleição de Lula ocupou no domingo (11) a maior parte da Avenida Paulista e teve a participação do candidato.
Chamado de Marcha pela Democracia, foi organizado por movimentos sociais e por fandoms, comunidades de admiradores de artistas como Lady Gaga, BTS, Beyoncé e Taylor Swift. Na Paulista, Lula agradeceu especificamente aos fandoms pela articulação online.
O tamanho do ato é disputado. Segundo a campanha do petista, a Paulista reuniu 1 milhão de pessoas. A Agência Brasil falou em "milhares".
Na segunda-feira (12), feriado de Nossa Senhora Aparecida, apoiadores de Lula ocuparam quarteirões da Avenida Atlântica, em Copacabana, no Rio.
O ato reuniu estudantes, famílias, políticos de esquerda e sindicalistas.
Houve atos também em mais de dez cidades no feriado.
Entre as bandeiras estavam o fim da escala de trabalho 6x1, em tramitação no Senado, a defesa da soberania nacional e críticas ao projeto econômico de Flávio.
Segundo a Polícia Militar, estações do metrô foram pichadas e depredadas, e as entradas de Trianon-Masp e Paulista chegaram a ser bloqueadas.
Quem organiza e qual a relação com o PT
A origem do movimento divide as versões. A Agência Brasil descreve a Marcha como organizada de forma independente. Já o Nexo Jornal afirma que movimentos sociais e estudantis, torcidas organizadas, artistas e fandoms atuaram em articulação com a campanha de Lula.
Plataformas mantidas por petistas e simpatizantes divulgam agendas diárias de panfletagem, bandeiraços e caminhadas no Brasil e no exterior.
Beto Vasques, diretor de relações institucionais do Democracia em Xeque, avalia que o movimento "não é do PT ou dos partidos da campanha". Segundo ele, a mobilização começou fora dessas siglas, com a intenção declarada de evitar a vitória de Flávio. Vasques diz que o primeiro turno ficou concentrado nas denúncias sobre o Banco Master, nas suspeitas sobre integrantes do Supremo Tribunal Federal e na discussão sobre o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. Para ele, os atos marcam o início do debate eleitoral para boa parte da população.
O que dizem os especialistas sobre 2013 e as Diretas
Tathiana Chicarino, coordenadora da graduação em sociologia e política da Fespsp, vê semelhanças com junho de 2013. Ela cita a mobilização de muitas origens, sem uma pessoa ou coordenação única. Chicarino afirma que movimentos como o Passe Livre, antes fora da política institucional e à esquerda do PT, agora discutem como participar do processo eleitoral. Na avaliação dela, a juventude de esquerda hoje é menos refratária a Lula por causa do saldo dos governos Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Edilene Teresinha Toledo, professora de história do Brasil da Unifesp, recorre a outros momentos. Ela lembra a frente ampla das Diretas-Já, a campanha de 1989 e os caras-pintadas, todos com papel central do PT. Angela Alonso, professora de sociologia da USP, diz que os grupos de agora não inventam nada. Para ela, é a apropriação de uma estratégia de mobilização digital que vem da campanha de Barack Obama e foi muito usada pela extrema direita brasileira na década passada.
Flávio responde com "Bloquinho do 22"
Flávio convocou um ato na Paulista para domingo (18), às 11h, ao lado do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB).
Também são esperados o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o prefeito Nunes. O apresentador Ratinho, do SBT, gravou vídeo com Flávio convidando eleitores para o ato e confirmou presença.
Os organizadores planejam uma estrutura inspirada nos blocos de Carnaval, com abadás e um caminhão aberto que percorrerá cerca de 1,5 quilômetro da avenida.
A mobilização busca reunir apoiadores de amarelo, em resposta aos de vermelho no ato de Lula.
Em documento assinado pelo diretório municipal do PL, a previsão é de 20 mil pessoas.
A PM de São Paulo fez reuniões nos dias 14 e 15 com CET, subprefeitura, GCM, Metrô e organizadores dos atos para planejar a segurança.
Do lado de Lula, haverá três mobilizações simultâneas pela reeleição nas zonas sul, norte e leste da capital paulista.
No Rio, o cantor Caetano Veloso convocou um ato-musical em Copacabana para o mesmo domingo.
Serviço: o ato de Flávio Bolsonaro acontece neste domingo (18), às 11h, na Avenida Paulista, perto do Masp, em São Paulo. O percurso começa perto da Rua Augusta e termina no cruzamento com a Avenida Brigadeiro Luís Antônio. O segundo turno é no domingo, 25 de outubro.
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