Senado aprova por 75 a 1 o fim da escala 6x1; jornada cai para 42 horas em dois meses
A PEC 221/2019 garante dois dias de descanso por semana sem corte de salário e segue para promulgação; no RS, 67% dos formais trabalham de 41 a 44 horas.
Por que afeta o RS: Trabalhadores com carteira assinada no RS passam a ter direito a dois dias de folga por semana e jornada máxima de 40 horas, com prazo de 60 dias após a promulgação para as empresas se adequarem.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 23:31 · 2 min de leitura

O Senado aprovou nesta quarta (14) o fim da escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de repouso. A PEC 221/2019 passou em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em ambos.
No Rio Grande do Sul, a mudança alcança a maioria dos empregados com carteira. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), 67% dos trabalhadores formais do estado têm jornada entre 41 e 44 horas semanais. Na indústria, o percentual chega a 91,7%.
O texto vai à promulgação e garante ao trabalhador dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.
O único voto contrário, nos dois turnos, foi do senador gaúcho Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
Jornada cai em duas etapas
A emenda reduz a jornada semanal para 42 horas dois meses após a promulgação. Um ano depois dessa primeira etapa, o limite passa a ser de até 40 horas semanais, ou seja, 14 meses após a promulgação. Hoje o teto é de 44 horas. A regra vale também para contratos de trabalho em vigor.
Os prazos só começam a correr depois da promulgação.
Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na PNAD/IBGE de 2025, estima que 26,8 milhões de trabalhadores seriam beneficiados. São 22 milhões de empregados formais, 54% dos que têm carteira assinada, e cerca de 4,8 milhões de informais com jornada acima de 40 horas.
Indústria gaúcha vê custo; sindicatos veem ganho
A Fiergs é contra a proposta. Em levantamento apresentado depois da votação na Câmara, a entidade estimou queda de 5,4% no PIB gaúcho e redução de cerca de 47 mil empregos no estado.
O presidente da federação, Claudio Bier, afirma que reduzir a jornada sem cortar salário eleva automaticamente o custo da hora trabalhada. A Fecomércio-RS também manifestou preocupação com o texto.
Do outro lado, as centrais sindicais gaúchas fizeram campanha pela mudança. Em 16 de julho, centenas de trabalhadores protestaram em frente à sede da Fiergs, em Porto Alegre, a convite da CUT-RS e de outras centrais. O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, disse na ocasião: "Queremos mais tempo para viver."
A Federação dos Empregados no Comércio do RS (Fecosul) levou o fim da 6x1 ao lema da Campanha Salarial 2026 dos comerciários. A entidade representa 52 sindicatos e mais de 500 mil trabalhadores do setor.
Como a PEC chegou ao Senado
A proposta teve como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi relatada no Senado por Omar Aziz (PSD-AM). A Câmara aprovou o texto em 27 de maio, por 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.
A CCJ do Senado deu aval em setembro, e o Plenário votou com calendário especial. Governistas e oposicionistas que falaram na discussão se declararam favoráveis, alguns com ressalvas e pedidos de mudanças futuras.
Próximo passo: a promulgação pelo Congresso Nacional, que o Senado prevê para os próximos dias.
Perguntas frequentes
O que muda com o fim da escala 6x1?
O trabalhador passa a ter dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.
Qual será a nova jornada semanal?
A jornada cai para 42 horas dois meses após a promulgação e, um ano depois dessa etapa (14 meses após a promulgação), passa a até 40 horas semanais. Hoje o teto é de 44 horas.
Quando o fim da 6x1 começa a valer?
Os prazos só começam a correr após a promulgação pelo Congresso Nacional, que o Senado prevê para os próximos dias.
Quantos trabalhadores serão beneficiados?
O Dieese, com base na PNAD/IBGE de 2025, estima 26,8 milhões de trabalhadores: 22 milhões de formais e cerca de 4,8 milhões de informais com jornada acima de 40 horas.
Saber mais
- Senado Federal – Senado aprova fim da escala 6x1
- Senado Federal – Aprovado fim da escala 6x1
- Brasil de Fato – PEC do fim da escala 6x1 é aprovada no Senado
- A Hora do Sul – Fim da escala 6x1 continua dividindo governo, indústria e comércio
- Portal de Notícias – PEC do fim da escala 6x1 divide setor produtivo e centrais sindicais
- CUT-RS (via STIMEPA) – Ato em frente à Fiergs pelo fim da escala 6x1
- Fecosul – Campanha Salarial 2026
- Fecosul – Pauta de reivindicações à Fecomércio
- Agência Brasil – Fim da 6x1: saiba quando entra em vigor nova jornada de trabalho
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Senado aprova PEC do fim da 6x1 em dois turnos; Mourão é o único voto contra

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