🔍
Urgente Brent vai a US$ 106,56 e WTI a US$ 95,60 com ataques a navios em Ormuz
Quinta-feira, 15 de outubro de 2026 · Edição para POAIbov 206,5 mil ▲ 0,33%17°C ⛅
EconomiaBrasilAfeta o RS

Senado aprova por 75 a 1 o fim da escala 6x1; jornada cai para 42 horas em dois meses

A PEC 221/2019 garante dois dias de descanso por semana sem corte de salário e segue para promulgação; no RS, 67% dos formais trabalham de 41 a 44 horas.

Por que afeta o RS: Trabalhadores com carteira assinada no RS passam a ter direito a dois dias de folga por semana e jornada máxima de 40 horas, com prazo de 60 dias após a promulgação para as empresas se adequarem.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 23:31 · 2 min de leitura

Plenário do Senado durante a votação da PEC que acaba com a escala 6x1. Foto: Divulgação/Agência Senado
Foto: Divulgação/Agência Senado

O Senado aprovou nesta quarta (14) o fim da escala 6x1, de seis dias de trabalho para um de repouso. A PEC 221/2019 passou em dois turnos, com 75 votos favoráveis e um contrário em ambos.

No Rio Grande do Sul, a mudança alcança a maioria dos empregados com carteira. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do RS (Fiergs), 67% dos trabalhadores formais do estado têm jornada entre 41 e 44 horas semanais. Na indústria, o percentual chega a 91,7%.

O texto vai à promulgação e garante ao trabalhador dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.

O único voto contrário, nos dois turnos, foi do senador gaúcho Hamilton Mourão (Republicanos-RS).

Jornada cai em duas etapas

A emenda reduz a jornada semanal para 42 horas dois meses após a promulgação. Um ano depois dessa primeira etapa, o limite passa a ser de até 40 horas semanais, ou seja, 14 meses após a promulgação. Hoje o teto é de 44 horas. A regra vale também para contratos de trabalho em vigor.

Os prazos só começam a correr depois da promulgação.

Levantamento do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base na PNAD/IBGE de 2025, estima que 26,8 milhões de trabalhadores seriam beneficiados. São 22 milhões de empregados formais, 54% dos que têm carteira assinada, e cerca de 4,8 milhões de informais com jornada acima de 40 horas.

Indústria gaúcha vê custo; sindicatos veem ganho

A Fiergs é contra a proposta. Em levantamento apresentado depois da votação na Câmara, a entidade estimou queda de 5,4% no PIB gaúcho e redução de cerca de 47 mil empregos no estado.

O presidente da federação, Claudio Bier, afirma que reduzir a jornada sem cortar salário eleva automaticamente o custo da hora trabalhada. A Fecomércio-RS também manifestou preocupação com o texto.

Do outro lado, as centrais sindicais gaúchas fizeram campanha pela mudança. Em 16 de julho, centenas de trabalhadores protestaram em frente à sede da Fiergs, em Porto Alegre, a convite da CUT-RS e de outras centrais. O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, disse na ocasião: "Queremos mais tempo para viver."

A Federação dos Empregados no Comércio do RS (Fecosul) levou o fim da 6x1 ao lema da Campanha Salarial 2026 dos comerciários. A entidade representa 52 sindicatos e mais de 500 mil trabalhadores do setor.

Como a PEC chegou ao Senado

A proposta teve como primeiro signatário o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG) e foi relatada no Senado por Omar Aziz (PSD-AM). A Câmara aprovou o texto em 27 de maio, por 472 a 22 no primeiro turno e 461 a 19 no segundo.

A CCJ do Senado deu aval em setembro, e o Plenário votou com calendário especial. Governistas e oposicionistas que falaram na discussão se declararam favoráveis, alguns com ressalvas e pedidos de mudanças futuras.

Próximo passo: a promulgação pelo Congresso Nacional, que o Senado prevê para os próximos dias.

Perguntas frequentes

O que muda com o fim da escala 6x1?

O trabalhador passa a ter dois dias de repouso semanal remunerado, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial.

Qual será a nova jornada semanal?

A jornada cai para 42 horas dois meses após a promulgação e, um ano depois dessa etapa (14 meses após a promulgação), passa a até 40 horas semanais. Hoje o teto é de 44 horas.

Quando o fim da 6x1 começa a valer?

Os prazos só começam a correr após a promulgação pelo Congresso Nacional, que o Senado prevê para os próximos dias.

Quantos trabalhadores serão beneficiados?

O Dieese, com base na PNAD/IBGE de 2025, estima 26,8 milhões de trabalhadores: 22 milhões de formais e cerca de 4,8 milhões de informais com jornada acima de 40 horas.

📱 As principais do dia, do teu jeito

Escolhe os assuntos e a região. Chega no WhatsApp, no e-mail ou nos dois. Sai quando quiser.

Sem spam e de graça, como tem que ser 🧉 · privacidade

Saber mais

Produzida e checada pela redação do Bairrista. Viu um erro? Fala com a redação.

Leia também