Samuel Pessôa diz em coluna que tese de Lula só vale com economia ociosa
Economista contesta a frase do presidente sobre "dinheiro na mão do povo", enquanto o IPCA em 12 meses está em 4,58% e a Selic, em 13,75%.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 23:27 · 2 min de leitura

O economista Samuel Pessôa contesta, em coluna publicada neste sábado (17), a afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Lula, a economia cresce pela microeconomia e pelo dinheiro circulando "na mão do povo". Lula disse isso em entrevista à Globo nesta quinta (15), em meio à cobertura do segundo turno das eleições presidenciais.

Para Pessôa, o raciocínio do presidente se aproxima do "princípio da demanda efetiva", do economista britânico John Maynard Keynes. Pelo texto, o estímulo ao gasto só gera crescimento quando há máquinas paradas e trabalhadores desempregados em toda a economia. Sem essa ociosidade, a demanda extra tende a virar alta de preços. A Selic define o custo do financiamento e do crédito para o comércio, a indústria e o campo gaúchos.
Pessôa cita Keynes de 1937
Pessôa afirma que muitos economistas brasileiros adotaram uma leitura radical de Keynes, a de que a ociosidade seria permanente. Ele cita textos de Keynes ao jornal The Times, em 1937, nos quais o britânico admite que há momentos de plena ocupação da capacidade. Na conclusão, o colunista escreve que a pressão inflacionária e os juros elevados mostram que o Brasil de hoje se parece com a Inglaterra daquele ano.
IPCA passa do teto da meta em setembro
O IBGE informou que o IPCA subiu 0,82% em setembro e acumula 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses, acima dos 4,22% do período anterior . Segundo análise da Riconnect, o resultado superou o teto da banda de tolerância da meta, de 4,5% .
O Copom reduziu a Selic a 13,75% ao ano em 16 de setembro. A ata atribuiu a decisão à desaceleração da atividade econômica e da inflação e aos efeitos dos juros elevados sobre o crédito e a demanda . Foi o quinto corte seguido de 0,25 ponto, segundo a Remessa Online.
Copom decide nova Selic em 4 de novembro
O Copom volta a se reunir nos dias 3 e 4 de novembro, e a decisão sobre a Selic sai na noite de quarta-feira (4) , depois do fechamento do mercado.
Perguntas frequentes
Quando o Copom decide a nova Selic?
A reunião é nos dias 3 e 4 de novembro, com decisão na noite de quarta-feira (4), após o fechamento do mercado.
Qual foi a inflação acumulada em 12 meses em setembro?
O IPCA acumulou 4,58% em 12 meses, acima dos 4,22% do período anterior, segundo o IBGE.
A Selic está em quanto atualmente?
A Selic está em 13,75% ao ano, após corte de 0,25 ponto decidido pelo Copom em 16 de setembro.
Saber mais
- Banco Central do Brasil – Comunicados do Copom
- IBGE – IPCA fica em 0,82% em setembro
- Agência Brasil – Ata do Copom atribui corte da Selic à desaceleração da economia
- Riconnect – IPCA acumulado: setembro/2026
- Patrimo – Copom Novembro 2026
- G1 – Lula: Dívida pública preocupa e solução é crescimento econômico
- G1 – Lula dá entrevista a Renata Lo Prete, da Globo
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