RS tem 3.069 pessoas na fila de transplante; 1.482 esperam por um rim
Dados da Central Estadual de Transplantes mostram 276 doadores efetivos em 2025 e apontam falha na notificação de mortes encefálicas como entrave à captação.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 2 min de leitura

O Rio Grande do Sul tinha 3.069 pacientes à espera de um órgão ou tecido no fim de setembro, segundo a Central Estadual de Transplantes. A maior demanda é por rim, com 1.482 pessoas, seguida pela córnea, com 1.322. Aguardam ainda 149 pacientes por fígado, 98 por pulmão e 18 por coração.
Os gaúchos fazem parte da fila nacional do Sistema Nacional de Transplantes, e a decisão de uma família em qualquer cidade do estado pode mudar a espera de quem está nela. Em outubro, o Ministério da Saúde lançou uma campanha nacional sobre a importância de conversar com a família a respeito da doação.
Transplantes em 2026 ficam perto do ritmo de 2025
O RS fez mais de 1.600 procedimentos entre janeiro e setembro de 2026, e 381 deles foram transplantes de rim. Na primeira metade do ano, o número estava muito próximo dos 1.215 transplantes registrados no primeiro semestre de 2025. Até meados de junho, foram 1.095 transplantes, entre eles 455 de córnea, 274 de rim e 61 de fígado.
Em 2025, o estado realizou 2.446 transplantes, alta de 8% sobre 2024. Foram 582 de rim, 129 de fígado, 32 de coração e 35 de pulmão, além de 1.024 de córnea. O RS ocupa o terceiro posto nacional em transplantes de rim, atrás de São Paulo e Minas Gerais.
Notificação de mortes encefálicas é o gargalo apontado
Os dados de captação de 2025 mostram 840 notificações, 717 doadores elegíveis e 276 doadores efetivos. A distância entre elegíveis e efetivos passa pela autorização das famílias e pela detecção dos casos nos hospitais.
O coordenador da Central de Transplantes do RS, Rogério Caruso, defende ampliar os hospitais notificantes. Para ele, todo hospital com UTI pode ter pacientes em morte encefálica, mas muitas vezes o caso não é detectado e, por isso, não é notificado. Em junho, a primeira doação de órgãos do Hospital São Vicente de Paulo, em Osório, veio depois de uma capacitação da equipe. A notificação em tempo hábil permitiu a captação por uma equipe da Santa Casa de Porto Alegre.
Como a fila anda e o que a família precisa saber
Após o consentimento familiar, a Central Estadual identifica os receptores com maior compatibilidade, seguindo critérios técnicos. A ordem leva em conta tipo sanguíneo, compatibilidade, gravidade do quadro e tempo de espera.
A doação só acontece com a autorização da família, por isso o passo principal é dizer em casa, em vida, que se quer ser doador. A campanha estadual "O Amor Vive" reforça essa mensagem no Rio Grande do Sul. A Central Estadual de Transplantes, ligada à Secretaria Estadual da Saúde, tira dúvidas sobre o processo.
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