Reeleito, Lula tem Trump como maior desafio externo; Casa Branca ainda não comentou
Governo brasileiro aposta em combinar defesa da soberania com diálogo, mas avalia que a pressão de Washington e a ação de bolsonaristas junto a Trump não vão parar.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Reeleito no domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) começa o quarto mandato com a relação com Donald Trump como principal desafio de política externa. Com 99,95% das seções apuradas, Lula somou 51,78% dos votos válidos (64.217.873), contra 48,22% (59.806.787) de Flávio Bolsonaro (PL). A posse será em 5 de janeiro de 2027.

A Casa Branca ainda não se manifestou sobre o resultado. No domingo, Trump disse que acompanhava a eleição brasileira e respondeu apenas "Estamos observando" quando perguntado por jornalistas. Para o governo brasileiro, o que está em jogo é a relação comercial e diplomática com os EUA nos dois anos que restam ao mandato de Trump. Desde 2025, o presidente americano impôs um tarifaço sobre a economia brasileira.
Governo prevê pressão e diálogo ao mesmo tempo
Integrantes do governo avaliam que a reeleição não elimina as pressões de Washington nem a atuação de aliados do bolsonarismo junto a Trump. A estratégia seguirá combinando defesa da soberania e diálogo. O Itamaraty não divulgou um documento com os detalhes dessa estratégia.
Na semana passada, o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, disse esperar uma reação contida de Trump. "Acho que o presidente Trump vai respeitar", afirmou, ao acrescentar que isso não significa reconhecer com entusiasmo.
Sinais contraditórios de Washington
Trump já recebeu Lula na Casa Branca e o chamou de "dinâmico". Depois, disse que o brasileiro é "volátil" e que "não poderia se importar menos" com ele. Durante encontro com o banqueiro André Esteves, Trump teria demonstrado respeito por Lula, segundo relatos publicados na coluna de Mônica Bergamo.
Um ex-integrante do primeiro governo Trump, ouvido na reportagem, diz que a resistência a Lula não é uniforme: há setores do Departamento de Estado com animosidade, enquanto boa parte da administração tem pouco interesse pelo Brasil.
O ambiente já vinha tenso antes das urnas. Na semana passada, o governo Trump não se comprometeu a reconhecer os resultados eleitorais no Brasil. Parlamentares democratas tinham cobrado do Departamento de Estado o compromisso de reconhecer o resultado. O senador democrata Bernie Sanders parabenizou Lula pela reeleição nas redes sociais.
O que vem agora
O governo americano criou o "Escudo das Américas", coalizão de segurança. A pauta de segurança, somada a tarifas e comércio, deve entrar na conversa entre Brasília e Washington. O governo brasileiro ainda não anunciou data para um contato formal com a Casa Branca. A diplomacia brasileira deve ter o primeiro sinal de Washington nos próximos dias, antes da posse de 5 de janeiro.
Perguntas frequentes
Quando Lula toma posse no quarto mandato?
A posse será em 5 de janeiro de 2027.
Quanto Lula obteve na eleição?
Lula somou 51,78% dos votos válidos (64.217.873), contra 48,22% (59.806.787) de Flávio Bolsonaro, com 99,95% das seções apuradas.
Qual é o principal desafio externo de Lula?
A relação com Donald Trump, especialmente a relação comercial e diplomática com os EUA e o tarifaço imposto desde 2025.
Saber mais
Leia também
Coreia do Norte diz à ONU que Seul fabricou explosão de mina na Zona Desmilitarizada

Bancada pró-impeachment de ministros do STF chega a 49 no Senado; faltam 5 votos

Brasil tem cinco governadoras, recorde, mas só três seguem a partir de janeiro

Renan Santos culpa 'arrogância' bolsonarista pela derrota de Flávio, vencedor no RS

Mais lidas
1Ações no TSE que pedem cassação de Lula e Flávio seguem após o 2º turno; sem prazo2Dólar cai 0,90% e fecha a R$ 4,99; Ibovespa sobe 0,47% antes do 2º turno3Datafolha e Ipespe/Abrapel mostram 2º turno empatado a dois dias da eleição4TSE divulga resultados do 2º turno às 17h; TRE-RS prevê votos do RS contados até as 20h5Alcolumbre e Motta pedem reconhecimento do resultado das urnas em coletiva no TSE