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Queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitou R$ 1,16 tri em danos climáticos

Estudo do Ibre/FGV calcula que R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões desse total ficam com a economia brasileira; Amazônia teve o menor desmatamento desde 1998.

Por que afeta o RS: O estudo aponta que a floresta amazônica regula chuvas que chegam ao Sul do país, afetando agropecuária e geração hidrelétrica no estado.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 3 min de leitura

Atualizada 21/10, 03:34 · O material detalha como se divide a área poupada de desmatamento (21 mil km² na Amazônia e 1,4 mil km² no Cerrado), traz a área de Sergipe como comparação (21,9 mil km²) e informa que o Inpe divulgou os dados na sexta (16).

Imagem de satélite (MODIS, NASA) mostrando áreas desmatadas no entorno do Parque Nacional do Xingu.
Foto: MODIS Land Rapid Response Team, NASA GSFC / Wikimedia Commons (Public domain)

A redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado entre 2023 e 2026 evitou cerca de R$ 1,16 trilhão em prejuízos climáticos para a economia mundial, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV) divulgado nesta terça (20). Entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões desse valor correspondem a benefícios para a economia do Brasil. O autor é o economista Bráulio Borges.

Quadro: Queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado evitou R$ 1,16 tri em danos climáticos
Em números · Bairrista

A conta chega ao Rio Grande do Sul. O estudo lembra que a Amazônia alimenta os chamados "rios voadores", correntes de umidade que levam vapor d'água ao Centro-Oeste, ao Sudeste e ao Sul. A água dessas chuvas pesa na agropecuária, na geração hidrelétrica e no abastecimento urbano, setores que sustentam a economia gaúcha.

Desmatamento caiu 28% entre os dois períodos

A pesquisa coloca lado a lado 2019–2022 e 2023–2026. No primeiro período, foram desmatados 78,9 mil quilômetros quadrados nos dois biomas. No segundo, 56,7 mil. A diferença, de cerca de 22,3 mil km², é um pouco maior que a área de Sergipe, de 21,9 mil km². Desse total, 21 mil km² deixaram de ser desmatados na Amazônia e 1,4 mil km² no Cerrado.

O cálculo parte de um cenário hipotético: o ritmo de 2019–2022 teria continuado nos quatro anos seguintes. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados na sexta (16), e já entram na análise. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado.

Nesse período, a Amazônia perdeu 3.335 km² de floresta, o menor índice desde 1998. No Cerrado, foram 5.516,69 km², a menor extensão desde 2001.

Como se chega ao R$ 1,16 trilhão

Segundo o estudo, a queda evitou a emissão de cerca de 1,49 bilhão de toneladas de gases de efeito estufa entre 2023 e 2026. A vegetação e os solos guardam carbono, que vai para a atmosfera quando a mata é derrubada e queimada.

Para dar valor em dinheiro a esses danos, Borges usou o Custo Social do Carbono. No cenário central, o custo médio ponderado é de US$ 145 por tonelada de CO₂. O resultado é o R$ 1,16 trilhão. No cenário mais conservador, o benefício cai para R$ 621 bilhões. No mais otimista, chega a R$ 9,8 trilhões.

Os valores representam prejuízos que deixaram de ocorrer, como perdas na produção agrícola, queda da produtividade do trabalho por causa do calor e danos de eventos climáticos extremos.

Chuva amazônica vale US$ 20 bilhões por ano

O estudo cita pesquisas que associam a floresta em pé à manutenção das chuvas. Uma das estimativas atribui à precipitação gerada pela Amazônia brasileira valor próximo de US$ 20 bilhões por ano, com base no preço da água usada na irrigação agrícola.

Borges também aponta como benefícios da floresta a biodiversidade, a redução de incêndios, a navegação fluvial e o abastecimento de água. Esses itens também não foram incorporados por inteiro ao cálculo.

Financiamento é menor que o benefício

De acordo com o estudo, os benefícios econômicos globais da conservação das florestas brasileiras superam o que o país recebe de mecanismos de financiamento ambiental. Entre eles estão o Fundo Amazônia, os mercados de créditos de carbono e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF). Para Borges, os instrumentos ajudam a remunerar a preservação, mas representam parcela pequena do benefício estimado.

O economista defende que o Custo Social do Carbono entre de forma mais explícita na avaliação de políticas públicas, como obras de infraestrutura na Amazônia, planejamento do setor elétrico e definição de tributos e subsídios.

Atualização: entraram a divisão da área poupada entre os biomas (21 mil km² na Amazônia e 1,4 mil km² no Cerrado), a área de Sergipe (21,9 mil km²) e a data de divulgação dos dados do Inpe (sexta, 16).

Perguntas frequentes

Quanto o desmatamento evitado vale para o Brasil?

Entre R$ 67 bilhões e R$ 192 bilhões do total de R$ 1,16 trilhão ficam com a economia brasileira, segundo o estudo do Ibre/FGV.

Quanto caiu o desmatamento na Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026?

Caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado, segundo os dados do Inpe citados na matéria.

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