Procurador do Trabalho defende limites à vigilância digital de empregados e cita lei da Espanha
Em artigo, Rafael Foresti Pego diz que o Brasil ainda engatinha na regulação do tema, enquanto os espanhóis garantem a desconexão digital em lei desde 2018.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 1 min de leitura

O procurador do Trabalho Rafael Foresti Pego defende regras claras para o monitoramento digital de trabalhadores. A posição está no artigo "O chefe que nunca dorme", publicado nesta terça (20) no GZH. Para ele, a legislação brasileira "engatinha" nesse debate.
O texto trata de quem trabalha em casa, com aplicativo ou com metas definidas por sistema. Pego lista o que, na visão dele, empresas já conseguem registrar: teclas digitadas, imagens da tela, localização, sites visitados e horas de conexão. O procurador afirma que fiscalizar o trabalho é direito do empregador, mas vigiar a vida do empregado não é.
O que o procurador propõe
Pego defende que o monitoramento sirva só para acompanhar o trabalho e fique restrito à jornada e ao ambiente de trabalho. Também pede que seja proporcional e transparente, com aviso prévio e claro ao trabalhador sobre o que é monitorado e por quê. Ele inclui o direito de se desconectar e afirma que, nas decisões que importam, a palavra final deve ser humana, não de algoritmo.
O que a Espanha prevê
O artigo 88 da Lei Orgânica 3/2018 espanhola garante aos trabalhadores a desconexão digital fora do horário de trabalho, para respeitar descanso, licenças, férias e a intimidade pessoal e familiar. O empregador deve elaborar uma política interna para todo o pessoal, incluindo diretores, definindo como o direito é exercido. Uma lei de 2021 estendeu o direito expressamente a quem trabalha a distância.
Quem é o autor
Pego é procurador do Trabalho no Rio Grande do Sul e doutor em Direito pela Universidad Complutense de Madrid.
Saber mais
Leia também
Ijuí lança nesta quarta cartilha para empresas locais venderem à Prefeitura

Dow Jones sobe 1,02% em Wall Street com indústria em alta e petróleo em queda

Fed de Warsh não antecipa juros de 28 de outubro; chance de alta cai a cerca de 16%

Projeto na Câmara proíbe órgãos federais de comprar papel com celulose branqueada

Mais lidas
1Real Time Big Data dá Flávio 52% a 48% sobre Lula; Alfa tem 51,5% a 48,5% no mesmo dia2TSE dá 24 horas para Meta provar isonomia entre Lula e Flávio; multa pode dobrar3Debate de domingo mexe pouco com dólar e Ibovespa; pesquisas dominam o pregão4Dólar fecha em queda de 0,58%, a R$ 5,0189; Ibovespa sobe 1,57%, aos 208.295 pontos5Demanda recorde em leilão japonês faz iene subir; dólar encerrou segunda a R$ 5,04