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PolíciaBrasil

PF prende deputado eleito Márcio Canella em esquema de R$ 7,6 bi com postos no Rio

Alexandre de Moraes mandou prender seis pessoas e suspender 112 empresas; a defesa de Canella diz que "tudo será esclarecido".

Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 12:59 · 2 min de leitura

Foto de Estela Neto, do Wikimedia Commons, ligada à matéria sobre a prisão do deputado eleito Márcio Canella pela PF.
Foto: Estela Neto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

LINHA FINA: Alexandre de Moraes mandou prender seis pessoas e suspender 112 empresas; Canella diz ter certeza de que "tudo será esclarecido".

A Polícia Federal prendeu nesta quinta (15) o deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil), na oitava fase da Operação Unha e Carne. A PF o descreve como patrono político e articulador de alto escalão de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.

A investigação tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Seis prisões e 112 empresas suspensas

As prisões foram autorizadas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes. Ele determinou seis mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão, além da suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à suposta rede de lavagem. Moraes fixou em R$ 700 milhões o limite de bloqueio de bens, válido para todos os investigados.

O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) estimou que o grupo movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O período analisado vai de 11 de maio de 2020 a 12 de março de 2026 e inclui 835 pessoas e empresas.

O que a PF atribui a Canella

Na representação ao STF, os investigadores dizem que Canella seria o elo entre o poder público, a rede de postos e as "franjas armadas" do grupo. Segundo a PF, ele capitaneou a indicação de Marcus Vinicius Amim Fernandes para a presidência do Detran do Rio e, depois, para a Secretaria de Polícia Civil. Para isso, teria articulado uma mudança na lei na Assembleia Legislativa (Alerj).

A representação também cita um suposto acordo com o Comando Vermelho. Segundo a PF, traficantes retiravam barricadas para obras da prefeitura de Belford Roxo, então chefiada por Canella. Em troca, haveria recuo das incursões policiais nas áreas. A PF baseia isso em áudios de um capitão da Polícia Militar, depois expulso, que negociava com chefes da facção.

A PF afirma que a quebra de sigilo bancário mostrou que Canella recebeu cerca de R$ 2,59 milhões entre maio de 2025 e abril de 2026. Na casa dele, os agentes apreenderam armas, munições, relógios de luxo, dois carros e duas motos de grife.

Defesas

Em nota, Canella afirmou: "Confio em Deus e na Justiça e tenho certeza de que tudo será esclarecido". O advogado Thiago Minagé, que defende Amim, disse que aguarda acesso à decisão para se manifestar.

Canella é ex-prefeito de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, e foi reeleito deputado estadual em 2026 com 197.178 votos. Ele já havia sido preso em julho, na sexta fase da mesma operação, quando investigadores encontraram um fuzil irregular em sua posse. Moraes o soltou dias depois e, em 23 de julho, revogou todas as restrições.

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