PF pede mais prazo para concluir dois inquéritos sobre Lulinha e Roberta Luchsinger no STF
O pedido foi protocolado em 2 de outubro, no fim dos 60 dias iniciais, e aguarda decisão do presidente do Supremo, Edson Fachin; as defesas pedem arquivamento.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

A Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal mais tempo para concluir dois inquéritos que apuram suspeita de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e a lobista Roberta Luchsinger. O pedido, sigiloso, foi feito em 2 de outubro, quando terminou o prazo inicial de 60 dias. A informação veio a público nesta terça (20).
Até esta terça, os pedidos seguiam sem resposta. Foram encaminhados ao ministro André Mendonça, relator dos inquéritos, mas os processos permanecem na Presidência da Corte, com o ministro Edson Fachin, a quem cabe decidir sobre a prorrogação. Enquanto a decisão não sai, o prazo das diligências fica em aberto. O prazo adicional pedido pela PF não foi divulgado.
O que cada inquérito investiga
O primeiro inquérito investiga a intermediação de um contrato de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. O segundo mira negócios federais para o empresário de tecnologia Cléber Ribas. A empresa dele soma R$ 53 milhões em contratos com o Ministério do Desenvolvimento Social. Os investigados negam irregularidades. Os representantes de Ribas afirmam que os contratos seguiram os procedimentos legais.
A PF pediu a abertura da primeira investigação em 24 de julho, e Mendonça a autorizou em 30 de julho. O segundo inquérito foi autorizado no dia seguinte. Mendonça relata dois dos três inquéritos do caso, e o terceiro está com o ministro Flávio Dino. Esse terceiro não faz parte do pedido de prorrogação.
Diligências pendentes
A PF afirma que as diligências determinadas ainda pendem de conclusão, em razão do pouco tempo decorrido desde que foram ordenadas. A corporação pediu à área técnica relatórios sobre vínculos societários e movimentações bancárias de Lulinha, além de registros de agendas dele e de outros alvos em órgãos públicos. Também quer o levantamento de viagens, no Brasil e no exterior. Entre as medidas está identificar quem pagou as passagens de Lulinha e cruzar dados para saber quando Roberta o acompanhou.
O que dizem as defesas
O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, afirma que não há elementos de prova contra o cliente. Diz ter entregado a Mendonça os sigilos fiscal, bancário e telemático dele, e que Lulinha, que mora na Espanha, virá prestar esclarecimentos se for chamado.
A defesa de Roberta também quer o fim das investigações. Para ela, o inquérito tem objetivo determinado e "não é uma licença para investigar a vida de uma pessoa".
Auxiliares de Fachin dizem que ele deve decidir antes de devolver a investigação a Mendonça, com base no parecer enviado pela Procuradoria-Geral da República na segunda (19). Segundo pessoas próximas do ministro, o mais provável é que a prorrogação seja autorizada, e a decisão deve sair depois do segundo turno, no domingo (25).
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