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Penha faz ato pelo primeiro ano da Operação Contenção, que deixou 122 mortos no Rio

Investigações do MPRJ seguem abertas, com 12 denúncias contra 28 PMs por crimes ligados à ação, e a Human Rights Watch publica relatório sobre as mortes.

Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 3 min de leitura

Policiais civis da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas durante a Operação Contenção, no Rio de Janeiro.
Foto: CanalGov / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Movimentos sociais, familiares e moradores fazem nesta quarta (28) uma manifestação na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio. O ato, organizado pela Frente Penha, marca um ano da Operação Contenção nos complexos da Penha e do Alemão. A ação, de 28 de outubro de 2025, deixou 122 mortos: 117 pessoas que não eram policiais e cinco policiais.

Um ano depois, as polícias Civil e Federal e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) ainda não concluíram quem responde pelas mortes nem como elas ocorreram. Quatro policiais morreram no dia da operação. O quinto morreu depois, em decorrência dos ferimentos.

O que pede o ato

A Frente Penha apresenta a manifestação como um misto de denúncia da violência do Estado e de acolhimento às famílias. O objetivo é manter viva a memória da chacina, como o coletivo chama a operação, para que ela não se repita.

"Nossa comunidade, que é tão violentada, precisa ser vista com olhos de cuidado. Sobretudo as mulheres, crianças e jovens negros que têm seus direitos violados diariamente", disse Evelin Dias, assistente social e integrante da gestão da Frente Penha. Ela pediu mais cuidado, educação e saúde para a população de favela.

Segundo o coletivo, o que houve na Penha e no Alemão reflete o cotidiano de outras favelas fluminenses. O relatório "Operações policiais na Baixada Fluminense/RJ", da Iniciativa Direito à Memória e Justiça Racial, registra 5.298 operações entre 2020 e 2025, com quase 300 mortos.

Investigação reúne 4 mil horas de imagens

O promotor Fabio Correa, coordenador do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp) do MPRJ, preside o procedimento investigatório criminal sobre as mortes. Segundo o MPRJ, a apuração reúne depoimentos de 255 pessoas e 122 laudos médico-legais. O órgão ainda analisa laudos periciais e imagens das câmeras corporais.

As gravações das câmeras corporais somam 4 mil horas.

Em outra frente, o MPRJ ofereceu 12 denúncias contra 28 policiais militares, todas recebidas pela Justiça. Elas tratam de crimes como furto, peculato, violação de domicílio e constrangimento ilegal, além de irregularidades no uso das câmeras. Não são acusações pelas 122 mortes. A Polícia Civil informou que as diligências sobre as mortes de quem não era policial continuam, com exames pendentes, sob acompanhamento do Gaesp.

Versões opostas sobre os mortos

Segundo a polícia, as 117 pessoas que não eram policiais morreram em troca de tiros. Moradores e parentes relatam tortura e execução. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) apontou corpos com múltiplos disparos na cabeça, na boca, nas costas, nas axilas e no tórax, em posições incompatíveis com troca de tiros.

Nesta quarta, a Human Rights Watch (HRW) divulga relatório com base em laudos de necropsia, imagens e relatos. Segundo a organização, mais de 40% das vítimas não policiais cujos laudos foram examinados foram atingidas na cabeça, mais de 60% levaram quatro tiros ou mais, e quase 75% foram baleadas ao menos uma vez nas costas. A HRW sustenta que os dados levantam suspeita de uso excessivo da força e de mortes intencionais. As conclusões são da ONG, não da investigação criminal.

Pesquisadoras ouvidas pela Agência Brasil não viram mudança significativa no controle territorial armado dos dois complexos. Em contato com a mesma reportagem, a Polícia Militar disse que não seria possível dar entrevista, e a Polícia Federal informou que não comenta investigações em andamento.

Serviço

O ato da Frente Penha acontece nesta quarta-feira (28), na Praça São Lucas, na Penha, zona norte do Rio. A praça foi o local para onde moradores levaram dezenas de corpos após a operação, em outubro de 2025. A participação é aberta a moradores, familiares e entidades.

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