No Dia do Médico, lideranças do Sul cobram que a inovação chegue ao interior do RS
Estudo da UFRGS com exame de sangue para Alzheimer avalia 3 mil voluntários em dez cidades, entre elas Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo.
Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 10:52 · 3 min de leitura

Neste domingo (18), Dia do Médico, duas lideranças da medicina da Região Sul gaúcha dizem que a ciência avança mais rápido do que o acesso da população aos novos exames e tratamentos. A pediatra e neonatologista Renata Jaccottet, diretora da região Sul do Sindicato dos Médicos do RS (Simers), e o gastroenterologista Lysandro Nader, vice-presidente da Associação Médica de Pelotas, defendem prevenção e rastreamento como caminho para reduzir essa distância.
Pelotas está entre as cidades que recrutam voluntários para um estudo da UFRGS que testa um exame de sangue capaz de apontar sinais de Alzheimer antes dos sintomas.
O que dizem os médicos
Jaccottet afirma que a medicina brasileira vive um período de grandes transformações. "Temos avanços científicos que ampliam a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de doenças, mas ainda convivemos com desigualdades no acesso à assistência", disse. Segundo ela, o aumento do número de médicos não acabou com a falta de profissionais em algumas regiões, principalmente no interior.
Nader descreve o cenário como paradoxal: conhecimento científico em ritmo exponencial e incorporação tecnológica acelerada, com acesso ainda muito desigual. Para ele, a tecnologia deve apoiar a decisão clínica, não substituir o médico. "O que não pode ocorrer é a tecnologia fragmentar o cuidado: consulta que vira tela, protocolo que ignora o contexto do paciente", afirmou.
Entre os entraves apontados no debate estão o custo dos medicamentos novos, a lentidão dos processos de incorporação, a concentração de especialistas e equipamentos nas capitais e grandes centros e a carência de profissionais no interior. "O desafio agora não é científico, é organizacional: fazer essa medicina chegar a todos", disse Nader.
Jaccottet também defende acompanhar o desenvolvimento, a saúde emocional e a qualidade de vida da criança e da família. Ela cita como exemplo as Coortes de Nascimento de Pelotas, conduzidas pelo Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel.
Pelotas está no estudo do exame de sangue para Alzheimer
A pesquisa é coordenada pela UFRGS. Os voluntários vêm de dez cidades gaúchas, entre elas Pelotas, Santa Maria e Passo Fundo. O projeto avalia 3 mil voluntários.
Em etapa anterior, a proteína p-tau217, medida no plasma, distinguiu pessoas com e sem Alzheimer com acurácia entre 94% e 96%.
Na divulgação feita em Uruguaiana, a pesquisa se dirige a pessoas com mais de 50 anos, alfabetizadas e sem problema de memória. A meta é que o estudo resulte em um exame oferecido à população e sirva de base para um plano nacional do SUS sobre o tema.
Rastreamento antes da doença
Nader usa a colonoscopia como exemplo de tecnologia a serviço da prevenção. "Na minha área, a colonoscopia de rastreamento identifica e retira pólipos antes que virem câncer. Isso é a tecnologia a serviço de uma lógica simples: cuidar da pessoa antes de ela adoecer, não depois", afirmou.
Jaccottet associa a qualidade da assistência à estrutura disponível, à formação das equipes e às condições de trabalho. Segundo ela, avaliar o momento da medicina exige olhar tanto para o avanço dos recursos quanto para a realidade de quem precisa de atendimento.
Os dois fazem o mesmo convite aos pacientes no Dia do Médico: procurar o médico antes de adoecer. "A melhor tecnologia só vale quando chega a tempo", disse Nader, para quem investir em prevenção é o que dá maior retorno à saúde.
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