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Dois anos após Guaratuba, Remar para o Futuro treina 35 jovens, mas faltam barcos

Processo contra o motorista e o dono do caminhão está no cartório à espera de sentença, e um tributo às vítimas está previsto para o dia 25.

Redação Bairrista · 18 de outubro de 2026 às 08:20 · 4 min de leitura

Dois anos após Guaratuba, Remar para o Futuro treina 35 jovens, mas faltam barcos
Foto: Wilson Dias/ABr / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 br)

Dois anos depois do acidente na BR-376, em Guaratuba (PR), que matou nove ocupantes de uma van do Remar para o Futuro, o projeto de remo de Pelotas segue ativo. Treina 35 jovens de 12 a 18 anos no arroio Pelotas, mas o coordenador, Fabrício Boscolo, diz que a maior limitação hoje são os barcos.

Quadro: Dois anos após Guaratuba, Remar para o Futuro treina 35 jovens, mas faltam barcos
Ficha de serviço · Bairrista

A tragédia aconteceu na noite de 20 de outubro de 2024. A delegação voltava do Campeonato Brasileiro Unificado, em São Paulo. Morreram sete atletas, o motorista da van e o treinador Oguener Tissot, um dos criadores da iniciativa. Um atleta, então com 17 anos, sobreviveu.

Para quem acompanha o remo em Pelotas, o recado de Boscolo é direto: o projeto continua, mas faltam barcos. "Até o ano que vem a nossa principal demanda é por barcos", afirmou.

Cerca de 20 barcos, nem todos em bom estado

Segundo Boscolo, o projeto tem hoje cerca de 20 barcos de níveis diferentes. Mesmo assim, não consegue colocar toda a equipe na água ao mesmo tempo em boas embarcações. Os atletas, nas palavras dele, "ficam limitados".

Historicamente, o Remar trabalhou com barcos doados ou deixados por atletas experientes na sede Aníbal Vidal. O primeiro barco comprado pelo projeto veio em 2026, com recursos do Ministério Público do Trabalho, e foi batizado de Sílvia Tissot, nome da mãe de Oguener.

O "Oito Com" tem oito remadores e um timoneiro. O do Remar foi doado pelo Grêmio Náutico União e é da década de 1970. Boscolo diz que ele atende, mas está longe do mínimo necessário, porque equipes consagradas têm vários desse tipo. Faltam ainda computador para prescrição de treinos e aparelhos speed coach, que monitoram o desempenho dentro da água. Alguns barcos que estavam parados passam por recuperação. O projeto não informou o custo das embarcações.

Para 2028, o coordenador prevê outro desafio: manter a equipe técnica e o dia a dia. Hoje, esses profissionais são pagos em parte com recursos recebidos em maio de 2025.

Quarenta atletas, cinco dias de treino por semana

Ao todo, 40 jovens remam regularmente: os 35 da faixa de 12 a 18 anos e cinco com mais de 18. Boscolo explica que Tissot queria trazer atletas mais velhos de volta a Pelotas e montar a categoria sub-23. Os grupos se dividem em aspirantes, pré-equipe e equipe. Os treinos são às segundas, terças, quintas, sextas e sábados.

A equipe remunerada tem três professores de remo, três preparadores físicos e uma professora de natação. Há ainda duas estagiárias de Educação Física, três de Psicologia e três voluntários de nutrição esportiva. A fisioterapia fica a cargo de equipes das universidades Católica e Federal de Pelotas (UFPel).

O Remar segue como projeto institucional, ligado ao Centro Português, à Prefeitura de Pelotas e à UFPel. Em 2025, o grupo se reestruturou e criou uma associação. Neste ano, segundo Boscolo, o foco é o direcionamento do trabalho.

Resultados em meio à reconstrução

Em 2025 e 2026, o projeto levou duplas aos Jogos da Juventude. Conquistou também o 6º lugar no Mundial de Remo Indoor. Neste ano, um atleta ficou em 6º no Mundial Adulto, e o Remar participou pela primeira vez com dois remadores. Em setembro, três atletas foram ao Sul-Americano, na Argentina.

Na sexta-feira (16), atletas da associação conquistaram quatro medalhas, duas de bronze, uma de prata e uma de ouro, no Campeonato Brasileiro de Barcos Longos. A competição termina neste domingo (18), no Rio de Janeiro.

Processo está no cartório e aguarda sentença

O Ministério Público do Paraná denunciou à Justiça o motorista e o proprietário do caminhão por homicídio culposo. Os dois também respondem por lesão corporal culposa contra o único sobrevivente. A denúncia é da 2ª Promotoria de Justiça de Guaratuba.

O promotor Élcio Sartori explicou que o motorista teria sido imprudente. O dono, por sua vez, teria sido negligente ao não manter o veículo em condições, e perícias apontavam que o caminhão não estava apto a rodar. Segundo a denúncia, a negligência do proprietário foi deixar de garantir a manutenção do sistema de freios do semirreboque.

Sartori afirmou que as testemunhas foram ouvidas e as diligências, concluídas. O processo está no cartório e deve seguir para a juíza responsável pela sentença. Pela lei, ela teria dez dias para decidir, mas o prazo pode ser ultrapassado pela complexidade do caso. Não há data de julgamento divulgada.

Em outubro de 2025, o advogado do motorista, Richard Noguera, disse que aguardava a marcação da audiência e que o cliente respondia em liberdade. Segundo ele, a data seria definida no ano seguinte.

Serviço

O tributo em lembrança ao acidente está previsto para o domingo (25). O projeto ainda não informou o local nem o horário da homenagem.

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