MPRJ denuncia 12 do CV por controlar venda de gás no Rio; Justiça bloqueia R$ 327 milhões
A Operação Dominus cumpre nove mandados de prisão preventiva e 44 de busca e apreensão em São Gonçalo, Niterói, Duque de Caxias e na capital fluminense.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ) denunciou nesta quarta (28) 12 integrantes do Comando Vermelho. Eles são acusados de controlar a venda de botijões de gás de cozinha em comunidades da região metropolitana do Rio, por meio de ameaças e extorsões contra comerciantes. A Justiça também mandou bloquear mais de R$ 327 milhões ligados ao esquema.
A facção impunha o fornecedor e cobrava para deixar o comerciante trabalhar. Segundo a investigação, o grupo obrigava comerciantes a comprar gás só de uma distribuidora específica ou a pagar taxas mensais ao tráfico. As cobranças eram chamadas de "metas do gás".
Bloqueio de R$ 327,6 milhões atinge denunciados e empresas
O Gaeco obteve na 2ª Vara Criminal Especializada da Capital o bloqueio de R$ 327.597.996,68 em recursos de denunciados e de empresas usadas no esquema. Os investigadores também apuram a ocultação de patrimônio por meio de empresas e de "laranjas".
Para o MPRJ, o esquema era montado por uma estrutura organizada, com funções específicas e comunicação permanente entre os integrantes. De acordo com a denúncia, as ameaças serviam para eliminar a concorrência, impor condições comerciais favoráveis aos criminosos e garantir pagamentos periódicos à organização.
Liderança do CV está entre os denunciados
Entre os denunciados está Edgar Alves de Andrade, o "Doca". Ele é apontado como a principal liderança da facção em liberdade e comanda as ações do CV no Complexo do Alemão. O MPRJ não divulgou a lista completa dos 12 denunciados nem a função de cada um.
Investigação começou em depósito de Duque de Caxias
A apuração começou depois que o dono de um depósito de gás da comunidade Vai Quem Quer, em Duque de Caxias, denunciou à polícia ameaças de morte e sequestro. A partir desse relato, os investigadores reuniram depoimentos, dados financeiros, registros telefônicos e mensagens.
O esquema funcionou entre 2024 e 2025, em comunidades de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e da capital fluminense. As defesas dos denunciados não constam nas informações divulgadas até agora.
Operação Dominus cumpre mandados em cinco cidades
A Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e o Gaeco deflagraram a Operação Dominus. Os agentes cumprem nove mandados de prisão e 44 de busca e apreensão. A maior parte dos alvos fica em São Gonçalo: Jardim Catarina, Trindade, Santa Luzia, Guaxindiba, Neves, Boaçu e Alcântara. Itaboraí, Niterói, Duque de Caxias e a capital também recebem equipes. Até o balanço divulgado durante a operação, quatro mandados haviam sido cumpridos, dois deles contra criminosos que já estavam presos.
Leia também
CNDH pede suspensão do Smart Sampa após exposição de 181 logins e de 58 mil câmeras

PF indicia Vorcaro e mais 14 por fraudes no BRB; prejuízo apurado é de R$ 2,7 bilhões

Justiça do Rio manda penhorar mansão de Renato Aragão por R$ 676 mil em IPTU atrasado

PF investiga como Flávio Bolsonaro deixou o Brasil e diz que senador não é foragido

Mais lidas
1Anistia Internacional vai denunciar Milei à ONU e à CIDH por ataques a cinco jornalistas2Flávio desiste de pedir anulação da eleição e vai atrás da cassação da chapa de Lula3Dólar cai 1,07%, a R$ 5,349, e Ibovespa recua 0,51% um dia após tombo da reeleição de Lula4Itaqui tem alerta de risco alto de inundação do rio Uruguai até as 18h30 desta quarta5Cargueiro C-130T da Marinha dos EUA pousa no Rio após entrar no espaço aéreo brasileiro