CNDH pede suspensão do Smart Sampa após exposição de 181 logins e de 58 mil câmeras
Nota do conselho cita falta de autenticação em duas etapas e descumprimento de resolução de 2025 sobre reconhecimento facial.
Redação Bairrista · Repórter de Polícia · · 2 min de leitura

O Conselho Nacional dos Direitos Humanos (CNDH) pediu a suspensão do Smart Sampa, sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo. O pedido está na Nota nº 59/2026, que defende a interrupção imediata do uso até que sejam adotadas medidas de segurança e transparência. O motivo é a exposição de credenciais do sistema, revelada pelo UOL em 20 de outubro.
O caso é de São Paulo, mas toca em tema que também vale para cidades gaúchas que usam câmeras com reconhecimento facial: durante 11 meses, quem tivesse as credenciais podia observar a cidade sem que as pessoas filmadas soubessem.
O que ficou exposto
Segundo a nota, 181 logins e senhas de usuários ficaram acessíveis em repositório público por cerca de 11 meses, junto com dados cadastrais de mais de 6 mil agentes de segurança. A falha teria dado acesso a imagens de mais de 58 mil câmeras na capital paulista, inclusive em escolas e unidades de saúde.
O material também permitia consultar CPFs, nomes e placas de veículos e inserir dados no sistema. Entre os locais filmados estavam creches, hospitais e centros de atenção psicossocial.
O que diz o conselho
O CNDH aponta que a falta de medidas como autenticação de duas etapas e o uso de senhas dedutíveis colocaram em risco dados sigilosos dos agentes e imagens de espaços públicos. Para o órgão, o episódio descumpre as garantias da Resolução nº 17/2025, que fixa parâmetros para o uso de reconhecimento facial pelo poder público.
O conselho afirma que, nesse período, podiam ter sido rastreados trajetos de policiais, guardas civis e policiais penais, além do trabalho de advogados e jornalistas. A nota classifica o dano como transindividual. O texto recomenda a interrupção do serviço até a adoção de medidas corretivas.
Prefeitura e Ministério Público
O prefeito Ricardo Nunes afirmou que o acesso agora exige reconhecimento facial. Ele negou falhas de segurança e atribuiu a divulgação ilegal das informações a um guarda municipal.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) anunciou que avaliaria abrir inquérito civil sobre o vazamento. Na mesma semana, o MPSP e a prefeitura assinaram convênios para usar as câmeras do Smart Sampa no combate ao crime organizado e à violência doméstica.
Perguntas frequentes
O que é o Smart Sampa?
Sistema de videomonitoramento e reconhecimento facial da Prefeitura de São Paulo.
Quantas câmeras ficaram expostas no vazamento?
Segundo a nota do CNDH, o acesso indevido abrangeu imagens de mais de 58 mil câmeras na capital paulista.
Por quanto tempo as credenciais ficaram expostas?
Cerca de 11 meses, em repositório público.
O que o CNDH pede?
A suspensão imediata do uso do sistema até a adoção de medidas de segurança e transparência.
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