Moody's mantém nota Aa3 da França, mas condiciona decisão a orçamento de 2027
Agência mantém perspectiva negativa e projeta déficit de 5,2% do PIB no ano que vem, acima da meta de 5% do governo Lecornu.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A Moody's manteve na sexta-feira (23) a nota de crédito da França em Aa3, com perspectiva negativa. O mercado esperava um rebaixamento, que levaria o país ao A1, equivalente ao A+ já atribuído por Fitch e S&P. A permanência no patamar atual, porém, depende de o Parlamento aprovar um orçamento que reduza o déficit.
O alívio pode durar pouco. A perspectiva negativa mantém o risco de rebaixamento, e a França é a segunda maior economia da zona do euro. Quando um país desse tamanho paga mais para se financiar, o efeito chega aos mercados de juros do mundo todo.
O que a Moody's exige para segurar a nota
A agência disse que a nota pressupõe a aprovação de um orçamento de redução do déficit para 2027, com custos de financiamento e tensões sociais em queda nos próximos meses. A Moody's também avisou que a situação piorou desde a última revisão: crescimento mais lento, déficit maior e juros subindo mais rápido elevaram o peso da dívida.
A dívida pública francesa está perto de 120% do PIB. A Moody's projeta déficit de 5,2% do PIB em 2027. A meta do governo é 5%, contra 5,4% estimado para 2026. A agência avalia que serão necessários esforços fiscais substanciais e prolongados depois da eleição presidencial de 2027.
Juros de 10 anos chegaram a 5%
O rendimento do título francês de 10 anos atingiu 5% pela primeira vez desde 2002. O diferencial sobre a Alemanha subiu a 1,7 ponto percentual. Na prática, a França paga mais caro para rolar a dívida. O efeito sobre as contas depende dos prazos de vencimento e das condições de cada emissão.
Para o investidor, o diferencial sobre a Alemanha mede o prêmio exigido para carregar papel francês em vez de alemão. Quanto maior o prêmio, maior o sinal de desconfiança do mercado.
Orçamento enfrenta Parlamento dividido
O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu não tem maioria. O projeto de orçamento prevê € 43 bilhões em cortes e aumentos de impostos para levar o déficit a 5% do PIB. A Assembleia Nacional, a Câmara baixa, já derrubou algumas medidas de economia. Os partidos de oposição mostram pouca disposição de negociar antes da eleição e ainda acrescentam gastos.
Os protestos entram na conta. A Moody's apontou que as manifestações generalizadas podem limitar a consolidação fiscal. Os manifestantes cobram mais dinheiro para serviços públicos e medidas contra os combustíveis caros. O governo já suspendeu a reforma que elevaria a idade de aposentadoria para 64 anos, para conseguir votos no Parlamento, e tem pouca margem para gastar mais.
Lecornu comemorou no X e disse que a decisão contraria as previsões pessimistas de muitos "especialistas". O ministro da Economia, Roland Lescure, afirmou que a decisão reconhece a força da economia e a credibilidade do orçamento apresentado. Lescure defende um orçamento aprovado até o fim do ano.
Próximo passo
A Assembleia Nacional retoma o debate do orçamento nesta terça (27).
Perguntas frequentes
Qual foi a nota de crédito da França mantida pela Moody's?
A Moody's manteve a nota Aa3 da França, com perspectiva negativa.
Qual é a meta de déficit do governo francês para 2027?
O governo do primeiro-ministro Sébastien Lecornu tem meta de déficit de 5% do PIB, enquanto a Moody's projeta 5,2%.
Quanto a França paga para se financiar em títulos de 10 anos?
O rendimento do título francês de 10 anos atingiu 5%, o maior nível desde 2002.
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