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Trump tira compensado e embalagens do Canadá da tarifa de 50% e taxa outros itens

Proclamação assinada nesta sexta (23) vale a partir do dia 30, quatro dias antes da eleição americana, e foi pedida pela senadora Susan Collins, do Maine.

Por que afeta o RS: Tarifas sobre produtos agrícolas e exportações do agronegócio gaúcho podem sofrer efeito indireto via comércio com EUA e Canadá, a depender do alcance final da medida.

Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

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Ilustração: Bairrista

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta (23) uma proclamação que retira da tarifa de 50% alguns produtos canadenses. Ficam isentos compensado, alguns produtos de papel, certas máquinas e equipamentos de refrigeração, caixas e engradados de embalagem, além de algas frescas e secas, informou a Casa Branca. As mudanças valem a partir de 30 de outubro, quatro dias antes da eleição.

A medida não mexe nas tarifas cobradas do Brasil. Para o agro gaúcho, o efeito é indireto e depende do desenrolar da guerra comercial no continente. O agro do Rio Grande do Sul é o mais atingido pela sobretaxa americana de 25% sobre produtos brasileiros. Levantamento da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mostrou que 70,4% das exportações gaúchas do setor aos EUA estão sujeitas à tarifa, contra média nacional de 32%. Isso equivale a US$ 541 milhões embarcados.

Não é um corte geral

Um funcionário do governo americano disse que Trump vai incluir novas tarifas para compensar as exclusões, de modo que o impacto total fique igual. Entram na lista de 50% itens como tapetes, tintas, xampus, cacau em pó, caixões de madeira, palitos de sorvete, aparelhos de ar-condicionado, freezers horizontais, equipamentos de tiro com arco e canoas. Algumas válvulas e resíduos também passam a ser taxados.

A base legal é a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930. A tarifa de 50% atinge US$ 20 bilhões em importações canadenses e foi aplicada em agosto, depois do fracasso das negociações entre os dois países. Esse valor se refere ao pacote tarifado como um todo, não ao que foi isentado.

Pedido veio do Maine

A senadora republicana Susan Collins anunciou isenções para nove categorias de produtos usados por produtores de mirtilo, batata, maçã e algas do Maine. Ela disse ter tratado do assunto com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e com o secretário de Comércio, Howard Lutnick. Segundo a senadora, muitos agricultores dependem de equipamentos e embalagens canadenses que não têm similar americano ou só podem ser trocados com custo alto.

A eleição de meio de mandato é em 3 de novembro, e os republicanos tentam manter o controle do Congresso. Collins vinha pedindo à Casa Branca que resolvesse as tarifas que atingem empresas e agricultores do Maine. O democrata Troy Jackson, que disputa a vaga, disse que as guerras comerciais de Trump encareceram a vida dos moradores do Maine.

Canadá analisa e diz que negocia

Dominic LeBlanc, ministro canadense responsável pelo comércio com os EUA, afirmou que Ottawa avalia a nova mudança de Trump. O Canadá respondeu em setembro com tarifas de 15% a 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos americanos. Trump afirmou nesta sexta que o Canadá trabalha em um acordo.

A isenção e as novas tarifas entram em vigor na sexta (30). A eleição americana, que define o Senado e a Câmara, é na terça (3).

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