Irã ameaça alvos de energia se EUA atacarem; Trump fala em ataque ou acordo
Brent fechou a sexta (23) a US$ 116,72, o maior nível desde abril; presidente iraniano culpa Washington por interromper as conversas.
Por que afeta o RS: Alta do petróleo decorrente de uma escalada com o Irã pode elevar preços de combustíveis e custos de transporte no Rio Grande do Sul.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura
Atualizada 25/10, 03:42 · Autoridades iranianas ameaçaram atingir alvos de energia e civis caso os EUA ataquem o país, e há alertas de escalada envolvendo países do Golfo e forças alinhadas a Teerã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no sábado (24) que o país avalia atacar o Irã já neste domingo (25) ou chegar a um acordo com Teerã. Segundo a Al Jazeera, Trump disse que Washington pode ter de "terminar o serviço" ou fechar um entendimento maior com os iranianos. Autoridades iranianas responderam com a ameaça de atingir alvos de energia e civis se os americanos atacarem.
Para quem abastece o carro ou depende de frete no Rio Grande do Sul, o ponto sensível é o petróleo, que já vinha em alta antes da fala. O barril do Brent fechou a sexta (23) em US$ 116,72, com alta de 3,13% no dia. É o maior valor do contrato de dezembro desde abril. O preço do barril pesa no diesel e na gasolina que chegam às bombas e nos custos do transporte de cargas.
Trump não diz se já decidiu atacar
Perguntado sobre a proximidade de um ataque, Trump irritou-se e não confirmou se havia decisão tomada. "Você acha mesmo que vou dizer se vou fazer isso?", respondeu a jornalistas no sábado (24). Ele acrescentou que há a possibilidade de um ataque e também a de um "acordo grande e bonito". Trump repetiu que o Irã quer negociar, mas questionou se Teerã cumpriria o que fosse combinado.
Trump não anunciou prazo nem ultimato formal. A Casa Branca e o Departamento de Estado não divulgaram comunicado confirmando preparativos para uma ofensiva.
A fala contrasta com declarações anteriores. Ele havia dito nas redes sociais que não atacaria o Irã de novo antes das eleições de meio de mandato, em 3 de novembro. Cresce no Irã e fora dele o temor de que EUA ou Israel retomem os ataques antes ou logo depois das eleições em Israel e nos EUA.
Teerã ameaça infraestrutura de energia e alvos civis
Em atualizações publicadas neste domingo (25), autoridades iranianas ameaçaram atingir alvos de energia e civis caso os EUA ataquem o país. A ameaça amplia o alcance do conflito para além do campo militar. A cobertura internacional também relata alertas de possível escalada envolvendo países do Golfo e forças alinhadas ao Irã.
Pezeshkian culpa Washington
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, atribuiu aos EUA a ruptura das negociações de um acordo provisório, mas defendeu que Teerã continue buscando um entendimento. Em comentários exibidos pela TV estatal, ele disse acreditar que "temos de ir e concluir" o acordo.
Pezeshkian afirmou que o líder supremo mandou os negociadores fecharem o acordo, mas que os americanos "quebraram as regras do jogo" e atrapalharam as conversas.
Mercado olha o risco no Golfo
A alta do Brent na semana vem de uma soma de fatores. No acumulado da semana até sexta, o Brent de dezembro subiu 6,24%. Analistas também acompanham os ataques dos houthis, do Iêmen, a instalações civis e petrolíferas da Arábia Saudita.
Para o banco ING, os preços refletem mais o risco de novas interrupções do que a oferta atual, já que os fluxos de petróleo do Golfo seguem resilientes. A ameaça iraniana a instalações de energia mexe justamente nesse risco: ataques à infraestrutura do Golfo podem provocar novas perturbações no mercado mundial e encarecer combustíveis e frete no RS.
Os números acima são anteriores à fala de Trump e à ameaça de Teerã. Os mercados de petróleo reabrem na segunda-feira (26), quando a reação poderá ser medida.
A Petrobras não divulgou avaliação sobre o efeito da escalada nos preços do diesel e da gasolina no Brasil.
Datas que contam
Os americanos votam nas eleições de meio de mandato na terça-feira, 3 de novembro. A questão iraniana está no centro da campanha, e o mercado de petróleo segue atento a qualquer sinal de ataque ou de acordo antes dessa data.
Atualização: autoridades iranianas ameaçaram atingir alvos de energia e civis caso os EUA ataquem o país, e há alertas de possível escalada envolvendo países do Golfo e forças alinhadas ao Irã.
Saber mais
Leia também
Eleitor com deficiência pode ter acompanhante na cabine se o mesário autorizar

Eleitores de Pelotas e Rio Grande votam até as 17h sem mudança de local no 2º turno

Presidente eleito neste domingo enfrenta Congresso a negociar e país dividido

Atos de Lula e Flávio na véspera do 2º turno ficam a 2 km um do outro em Brasília

Mais lidas
1Lula e Flávio Bolsonaro fazem último debate na Globo às 21h20 desta sexta (23)2Dólar cai 0,90% e fecha a R$ 4,99; Ibovespa sobe 0,47% antes do 2º turno3Datafolha e Ipespe/Abrapel mostram 2º turno empatado a dois dias da eleição4Segundo turno é neste domingo (25), das 8h às 17h; Datafolha aponta empate em 50%5Homem é preso com faca de 30 cm em reunião de apoiadores de Sanderson em Passo Fundo