Presidente eleito neste domingo enfrenta Congresso a negociar e país dividido
Datafolha de sábado (24) mostra Flávio Bolsonaro com 51% e Lula com 49% dos votos válidos, empate técnico que antecipa um mandato de pouca folga.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 4 min de leitura

O brasileiro escolhe neste domingo (25) o presidente que governará de 2027 a 2030. O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta o quarto mandato, disputam o cargo. Quem vencer vai encontrar o mesmo cenário: um Congresso a convencer e uma sociedade dividida quase ao meio.
Para quem vive no RS, o que está em jogo aparece no contracheque e no extrato do INSS. A forma de reajustar o salário mínimo mexe com o valor de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC), e foi um dos temas mais disputados do segundo turno.
Disputa apertada, vitória sem folga
A pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24) dá 51% dos votos válidos a Flávio e 49% a Lula, empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. Entre os eleitores de baixa ou média propensão a votar, grupo que representa 24% do eleitorado, Lula aparece com 52% e Flávio com 48%. O instituto registra ainda que 95% dos entrevistados se dizem totalmente decididos e 5% ainda podem mudar o voto.
O quadro vem oscilando dentro da margem de erro. No levantamento de 6 e 7 de outubro, Flávio tinha 52% e Lula, 48%. Na pesquisa divulgada em 22 de outubro, os dois estavam empatados com 50%.
Mínimo e aposentadoria dividem os candidatos
O reajuste de aposentadorias e do BPC entrou no centro da disputa entre os dois no segundo turno. Lula promete manter a regra de valorização do salário mínimo, com aumentos reais para trabalhadores, aposentados e beneficiários do BPC. O plano do petista também prevê novas fontes de custeio para a Previdência e a regulamentação da contribuição de quem trabalha por aplicativo. Segundo a BBC News Brasil, o programa de Lula mantém ainda o Bolsa Família.
Flávio afirmou que manterá os aumentos das aposentadorias acima da inflação e negou mudanças nas regras de correção. A declaração veio depois de integrantes de sua equipe econômica discutirem alternativas para conter despesas obrigatórias, incluindo os reajustes previdenciários. Em nota divulgada em 9 de outubro, a campanha do PL disse que não haverá corte em benefícios sociais nem nas aposentadorias. O plano de governo, segundo a BBC News Brasil, não detalha uma fórmula para o reajuste do piso.
O programa de Flávio traz ainda um pacote antifraude na Previdência, com revalidação anual dos descontos associativos nas aposentadorias. Em debate, Lula perguntou ao adversário como seria a política de valorização do mínimo num eventual governo dele.
Ponte com o Congresso decide a governabilidade
Na avaliação de cientistas políticos, o primeiro passo do eleito será negociar estabilidade com deputados e senadores. A capacidade de articulação será decisiva para algum nível de governabilidade, e os desafios tendem a ser os mesmos, ainda que as propostas de cada candidato sejam diferentes.
O pesquisador Fábio Hoffmann, doutor em Ciência Política, situa a origem do cenário atual em 2018. Para ele, a eleição de Jair Bolsonaro encerrou a disputa histórica entre PSDB e PT, que predominava desde a redemocratização, e abriu um novo ciclo de polarização política e social.
Comunicação de governo entra na conta
O pesquisador Fábio Hoffmann avalia que as campanhas ainda se adaptam do modelo "analógico" ao digital e tentam entender como o usuário de cada plataforma pode ser "capturado" e virar apoiador. Como o eleitor está mais volátil, diz ele, as candidaturas têm ajustado as pautas, ora aderindo à redução da maioridade penal, ora à redução das jornadas de trabalho.
Para o pesquisador, a comunicação do governo é decisiva para o presidente manter apoio ao longo do mandato. Ele defende combinar televisão, rádio e jornais impressos com o domínio da lógica das novas mídias. E resume o risco: "Às vezes, você tem uma boa política, mas ela não é bem comunicada."
Hoffmann acrescenta que o governo eleito precisa falar à população inteira, não a um público só. A recomendação vale tanto para Lula quanto para Flávio.
Serviço
A votação do segundo turno vai das 8h às 17h, no horário de Brasília, em todo o país, inclusive no RS. A apuração começa após o fechamento das urnas e os resultados saem no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O eleito toma posse em 5 de janeiro de 2027.
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