Metade dos fundos de pensão quer mais exterior; renda fixa segue em 86,2% das carteiras
Pesquisa da Abrapp com a Itajubá Investimentos, apresentada em São Paulo, mostra as entidades de previdência fechada concentradas em títulos e de olho em ações lá fora.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A pesquisa Raio X de Investimentos das EFPC 2026, feita pela Abrapp em parceria com a Itajubá Investimentos AI, foi apresentada na quarta-feira (21) durante o 47º Congresso Brasileiro de Previdência Privada, em São Paulo. Entre as entidades ouvidas, 50% pretendem ampliar a exposição ao exterior nos próximos 12 meses, e o percentual chega a 53% em três anos.
Para quem tem plano em fundo de pensão, o retrato é de carteira conservadora. Em 13 anos, a renda variável caiu de 34% para 4,7% das carteiras, enquanto a renda fixa subiu de 56% para 86,2%. A pesquisa não separa os dados por estado, então não mostra o peso das entidades gaúchas.
Juros altos explicam a concentração
O levantamento reuniu entidades que administravam R$ 461 bilhões em dezembro de 2025, o equivalente a 34% dos ativos do sistema.
João Carlos Ferreira, diretor de Investimentos da Abrapp, afirmou que, com os juros atuais, as fundações conseguem retorno em torno de 8% acima da inflação. Por isso, segundo ele, as entidades vivem uma situação mais confortável.
Imóveis perdem espaço; ETFs ganham
Imóveis e fundos de investimento em participações (FIPs) concentram as maiores intenções de redução, com saldos de -46 e -41 pontos percentuais. A fatia de imóveis e fundos imobiliários nas carteiras já havia recuado de 5% para 1,7% no período.
Dentro da renda variável, a gestão passiva e indexada, incluindo ETFs, subiu de 15% para 36% dos investimentos em ações. Para o médio prazo, 36% das entidades planejam aumentar a alocação em renda variável em 36 meses.
A própria pesquisa comparou as intenções de 2023 com o que ocorreu nos 36 meses seguintes, e as expectativas se confirmaram em apenas duas de seis classes: exterior e renda fixa. Renda variável, multimercados estruturados e fundos imobiliários foram na direção oposta à pretendida.
Naquele ano, 92 entidades responderam, e os resultados são divulgados de forma consolidada, sem identificar as entidades individualmente.
Saber mais
- Abrapp (47º CBPP: renda fixa passa de 56% para 86% das carteiras)
- Abrapp (Entidades têm até 11 de setembro para responder pesquisa)
- Investidor Institucional (Em 13 anos, renda fixa passa de 56% a 86% das carteiras das EFPCs)
- Monitor do Mercado (Fundos de pensão vão mirar ações e exterior nos próximos três anos)
- NeoFeed (Fundos de pensão querem mais renda fixa)
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