Ex-diretor do BC prevê recessão em 2027 se Lula não fizer ajuste fiscal
Luiz Fernando Figueiredo, da Jubarte Capital, calcula que o corte necessário chega a 3% ou 3,5% do PIB, e o mercado projeta dívida de 87% do PIB em 2027.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

O economista Luiz Fernando Figueiredo, ex-diretor do Banco Central e sócio da Jubarte Capital, afirmou que Lula herda uma situação fiscal insustentável no curto e no longo prazo. Segundo ele, sem ajuste, o país pode entrar em recessão em 2027, primeiro ano do novo mandato.
Para quem vive no Rio Grande do Sul, o risco passa pelos juros, pelo crédito e pelo emprego. Figueiredo condiciona a retomada à capacidade de o Banco Central reduzir a Selic, e isso depende da confiança nas contas públicas. Ele disse que o governo precisa mostrar o ajuste para "minimamente" ter condição de governar.
O que o mercado projeta para 2027
O Prisma Fiscal de outubro, divulgado em 15 de outubro pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, reúne estimativas do mercado, não do governo. Para 2027, a estimativa de déficit primário do Governo Central recuou de R$ 45,350 bilhões para R$ 44 bilhões. A projeção para a Dívida Bruta do Governo Geral em 2027 permaneceu em 87% do PIB. Para este ano, a mediana é de 83,4%.
A meta oficial é outra. O governo busca superávit de 0,25% do PIB em 2026 (R$ 34,3 bilhões) e de 0,50% em 2027 (R$ 73,2 bilhões), com margem de tolerância e algumas despesas fora do cálculo. O Prisma não traz projeção de PIB nem de recessão.
Ajuste de 3% a 3,5% do PIB
Em entrevista ao Times Brasil, ainda durante a campanha, Figueiredo avaliou que o ajuste necessário estaria mais próximo de 3% a 3,5% do PIB, mas deveria ser feito de forma gradual. Na ocasião, falava de uma PEC de transição estudada pela equipe de Flávio Bolsonaro (PL), com corte de gastos de cerca de 1,5% do PIB. Ele a chamou de relevante, mas insuficiente.
Ao CNN Money, depois da ata do Copom de agosto, o economista já havia ligado juros e atividade. Se o BC só mantiver ou reduzir marginalmente os juros, uma recessão no ano seguinte estaria "praticamente contratada", disse. A Selic caiu de 15% para 13,75% ao ano desde março.
Outros economistas alertam para o mesmo risco
Solange Srour, economista do UBS WM, avalia que sem ajuste fiscal crível a economia em um novo governo Lula pode entrar em recessão. Para ela, nem todo o ajuste precisa sair em 2027; um esforço crível de corte e controle de gastos já ajudaria a baixar os juros.
A Fazenda, chefiada pelo ministro Dario Durigan, ainda não divulgou projeção de recessão para 2027. O próximo marco concreto é a meta de superávit primário de 0,50% do PIB para o ano, que o mercado hoje não vê como alcançável.
Saber mais
- Prisma Fiscal eleva projeção de déficit para 2026 e reduz estimativa para 2027 (Ministério da Fazenda)
- Economistas pioram previsões para déficit fiscal e dívida pública em 2026, mostra Prisma (Forbes Brasil)
- Se eleito, Flávio Bolsonaro prevê PEC de transição com corte de gastos de 1,5% do PIB (Times Brasil)
- BC percebe custo alto de juros, mas manterá aperto, diz Figueiredo (CNN Brasil)
- Sem ajuste fiscal crível, há risco de recessão no próximo governo Lula, diz Srour (InvestNews)
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