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Meta recusa canal direto para jornalistas denunciarem ameaças e bloqueios, diz governo

Pedido do Observatório do Ministério da Justiça veio após 24 perfis jornalísticos relatarem restrições no Instagram; a resposta da empresa é de 16 de outubro.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Fachada do edifício do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em Brasília.
Foto: Senado Federal / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Meta recusou criar um canal direto para receber e acompanhar denúncias urgentes de ameaças, assédio, ataques digitais, bloqueios e suspensões de contas de jornalistas. O Observatório da Violência contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, do Ministério da Justiça, recebeu a resposta em 16 de outubro. O órgão divulgou a negativa nesta terça (20).

Na prática, jornalistas do RS e do resto do país seguem sem um atendimento exclusivo da plataforma para casos urgentes. O Ministério da Justiça não citou, nas notas divulgadas, casos de profissionais ou veículos gaúchos.

O que a Meta respondeu

Para a empresa, o canal traria complexidade técnica, jurídica e operacional e poderia gerar novas obrigações regulatórias. A Meta também afirmou que aplica as mesmas regras a todos os usuários e que os canais gerais de atendimento são suficientes. Para casos ligados às eleições, a empresa indicou o contato institucional já existente com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Reação do governo

Em nota conjunta, as secretarias de Justiça e de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e a Secretaria de Políticas Digitais da Secom, da Presidência, criticaram a resposta. Segundo o texto, os canais gerais e a cooperação com a Justiça Eleitoral não substituem um mecanismo para situações urgentes, inclusive fora do período eleitoral. Para o governo, "a empresa não apresentou solução".

Os casos que motivaram o pedido

O Observatório apresentou a proposta à Meta em reunião no dia 9, depois de receber vários relatos de restrições. Em agosto, já havia encaminhado à empresa denúncias de nove organizações envolvendo 24 perfis jornalísticos no Instagram. Entre eles estavam Mentira Tem Preço, Tapajós de Fato e Revista Cenarium.

Em setembro, o perfil Revelando Brasil ficou fora do ar por algumas horas. No dia 14 de outubro, o perfil do comunicador Eduardo Moreira, do ICL Notícias, foi suspenso, e o Observatório divulgou nota reiterando o pedido de explicações.

O Observatório também relata banimentos temporários de perfis de grande engajamento e limitação de alcance, inclusive com impedimento de repostagens, sobretudo no Instagram.

Ataques digitais no 1º turno

O relatório da Coalizão em Defesa do Jornalismo contabilizou 14.182 ataques digitais a jornalistas e veículos no X e no Instagram no primeiro turno das eleições de 2026. A média diária de agressões subiu 74% na reta final da campanha, de 188 para 327 por dia.

O Observatório informa que recebe relatos de jornalistas e comunicadores. Para temas eleitorais, a Meta aponta o fluxo de cooperação com o TSE.

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