Dez partidos do centrão têm reunião dia 28 para definir reforma que mira puxadores de votos
Grupo quer votar a mudança na primeira semana de novembro, antes da posse dos novos deputados, mas ainda não escolheu entre distrital misto e distritão.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Dez partidos do centrão articulam uma reforma do sistema eleitoral para reduzir o peso dos candidatos muito votados na eleição de deputados federais. O grupo fez um acordo para votar a proposta na primeira semana de novembro, antes da posse dos novos congressistas. Não há consenso sobre o modelo, e uma reunião foi marcada para a próxima quarta (28) para decidir.
Para o eleitor gaúcho, o que está em jogo é a regra que define quem ocupa as 31 cadeiras do Rio Grande do Sul na Câmara, qualquer que seja o partido. A mudança não alteraria a bancada eleita em 4 de outubro. Pelo artigo 16 da Constituição, regra que muda o processo eleitoral só vale para eleições realizadas mais de um ano depois de entrar em vigor. Aprovada em novembro, ela serviria para os próximos pleitos.
O que está na mesa
Duas alternativas disputam a preferência do grupo. Uma parte defende o distrital misto, em que metade dos eleitos sai de regiões delimitadas e a outra metade de uma lista indicada pelos partidos. Outra prefere o distritão, que elege os candidatos mais votados sem considerar a votação total de cada partido.
O distritão enfrenta uma barreira extra. Ele exige mudança constitucional, e uma PEC precisa de 308 dos 513 votos na Câmara. A ideia foi tentada em 2015, na gestão de Eduardo Cunha, e perdeu por 267 votos a 210.
A articulação reúne União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania e Podemos, além da federação Solidariedade-PRD. O tema foi discutido com os partidos de centro que fecharam apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para a presidência da Câmara. O acordo fortalece Motta, mas as lideranças ainda precisam transformar o compromisso em votos dos deputados.
O efeito Nikolas em números
O exemplo que move o debate é o de Nikolas Ferreira (PL-MG). Reeleito, ele recebeu 3.119.318 votos, 27,19% dos válidos em Minas, segundo a totalização do TSE. O quociente eleitoral no estado foi de 214.720 votos, e o último eleito teve 25.090.
No sistema proporcional atual, os votos de todos os candidatos de um partido somam-se para definir as cadeiras da sigla. A bancada mineira do PL passou de 11 para 21 deputados entre 2022 e 2026. Segundo análise do Nexo, Nikolas puxou 10 deles, e 15 dos 16 eleitos com menor votação no estado eram do PL.
A preocupação não se limita a Minas. O grupo também cita Lucas Pavanato (PL-SP), outro candidato que concentrou milhões de votos. Não há simulação divulgada sobre o efeito de cada modelo na bancada gaúcha.
Próximos passos
O centrão tenta superar as divergências sobre o modelo na reunião de quarta-feira (28). O grupo também quer convencer parte dos partidos de esquerda e centro-esquerda a endossar a mudança. A votação está prevista para a primeira semana de novembro, e os novos deputados tomam posse em fevereiro de 2027.
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