Merval cai mais de 6% e peso bate mínima de 1.542 por dólar após tombo do Ibovespa
Risco-país argentino marca 738 pontos-base, e a Bolsa brasileira chegou a perder mais de 17% depois de acionar o circuit breaker.
Por que afeta o RS: A Argentina é o principal parceiro econômico do Brasil e o RS exporta para o país; a desvalorização do real e a instabilidade cambial podem afetar exportadores gaúchos.
Redação Bairrista · Repórter de Economia · · 2 min de leitura

A Bolsa argentina e o peso sentiram nesta segunda (26) o choque que começou no mercado brasileiro após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Às 11h10, o MSCI Merval, principal índice de Buenos Aires, caía 6,24%. O peso chegou a uma mínima histórica intradia de 1.542 por dólar na venda.
O Brasil é o principal parceiro econômico da Argentina, e o Rio Grande do Sul vende ao vizinho. Real e peso mais fracos ao mesmo tempo mexem nos preços e na competitividade do comércio entre os dois países, inclusive para os exportadores gaúchos.
Ibovespa parou 30 minutos e chegou a cair mais de 17%
O choque partiu de São Paulo. A B3 acionou o circuit breaker às 10h05, com o Ibovespa 10% abaixo do fechamento anterior, e suspendeu por 30 minutos as negociações de ações e outros ativos. Foi a primeira vez que o mecanismo disparou desde março de 2020, no início da pandemia.
Por volta das 11h, o índice recuava 15,9%, aos 172.479 pontos, com mínima de 169.516 pontos. Ao longo da manhã, a queda passou de 17%. O dólar chegou a R$ 5,58, e os juros futuros saltaram.
O mercado havia se posicionado para uma vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que liderou o primeiro turno. Lula venceu o segundo turno, no domingo (25). Investidores viam uma troca de governo como chance de melhora nas contas públicas.
Peso e títulos argentinos seguem a queda
No câmbio argentino, o peso perdia 0,71% e era negociado a 1.540,50 por dólar. Os títulos no mercado de balcão recuavam, em média, 0,7%. O risco-país marcava 738 pontos-base.
Roberto Geretto, analista do Adcap Grupo Financiero, atribuiu o movimento ao contágio. "O efeito de contágio também afeta o Merval e os títulos soberanos argentinos", afirmou. Segundo ele, um real mais fraco pressiona o câmbio real multilateral argentino.
O economista Gustavo Ber avaliou que o Brasil caminha para um dia difícil, com fraqueza na renda fixa e forte desvalorização do real. Para ele, o contágio do pessimismo aos ativos argentinos parece irreversível. Ber também observou que o mercado terá de desfazer as apostas numa vitória de Bolsonaro.
A Argentina vai às urnas em 2027, quando o presidente Javier Milei buscará a reeleição.
Saber mais
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- Vitória de Lula derruba bolsa argentina e peso atinge mínima histórica (TMC)
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