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Mercadorias comerciais deixam de entrar em Gaza; Israel culpa comerciantes e eles negam

Frutas, carne e roupa de inverno estão fora do território desde o início da semana, e a ajuda humanitária sozinha não cobre a demanda, alertam entidades.

Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 11:52 · 2 min de leitura

Imagem da agência WAFA ligada à Faixa de Gaza, onde mercadorias comerciais deixaram de entrar
Foto: WAFA (Q2915969) in contract with a local company (APAimages)‏‏ / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

TÍTULO: Mercadorias comerciais deixam de entrar em Gaza; Israel culpa comerciantes e sindicato nega

LINHA FINA: Frutas, carne e roupa de inverno estão fora do território desde quarta (14), e a ajuda humanitária sozinha não cobre a demanda, alertam entidades.

Mercadorias comerciais deixaram de entrar na Faixa de Gaza. Israel afirmou na quinta-feira (15) que nenhum produto comercial entrava no território havia dois dias. O Cogat, órgão militar israelense que coordena assuntos civis nos territórios palestinos, anunciou a suspensão da coordenação das remessas na quarta (14).

A interrupção atinge só o comércio privado, não a ajuda humanitária. Mesmo assim, entidades alertam que a conta não fecha sem os mercados. Organizações de ajuda costumam levar itens básicos, como farinha, enquanto os comerciantes importam alimentos perecíveis, como frutas e carne. "O setor humanitário sozinho não consegue atender às necessidades de todas as pessoas", disse Shaina Low, porta-voz do Conselho Norueguês para Refugiados.

Duas versões sobre quem parou as remessas

O Cogat diz que a decisão foi dos próprios comerciantes de Gaza. Segundo o órgão, o Hamas cobra cerca de 10 mil shekels por caminhão que entra e exige que parte das mercadorias seja vendida em dinheiro vivo. O órgão afirma ainda que agentes de segurança do Hamas prenderam o filho de um comerciante que se recusou a pagar.

Do lado palestino, o relato é outro. Nahed Sheheiber, presidente do sindicato dos transportadores privados de Gaza, disse que os comerciantes não interromperam os envios e que Israel impôs as restrições.

Sheheiber afirma que o Ministério da Economia de Gaza pedia 10 mil shekels, cerca de US$ 3.226, por caminhão. Em reunião com o sindicato, o subsecretário do ministério, Khaled Al-Raqab, disse que o valor não era imposto, e sim uma doação para ajudar a pagar servidores do território. O Hamas rejeitou a acusação e diz tratar-se de uma contribuição voluntária.

Total diário de caminhões cai pela metade

O Cogat estima que os cerca de 2 milhões de habitantes de Gaza precisam de 250 caminhões com mercadorias por dia. O setor privado responde por 50% dos caminhões que entram no território. No cessar-fogo firmado em outubro do ano passado, Israel se comprometeu a permitir cerca de 600 por dia.

Caminhões com ajuda humanitária e produtos comerciais vindos do Egito, por uma passagem sob controle israelense, continuam a entrar. Segundo o Cogat, o total diário cairia para cerca de 300, metade do nível anterior. O Cogat não esclareceu se as organizações humanitárias poderão ampliar as remessas para compensar a perda.

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