Médico da Santa Casa vê mais câncer de intestino em pacientes de 30 e 40 anos
O INCA estima 3.690 casos novos de câncer de cólon e reto no RS em 2026, e o especialista diz que a ciência ainda não comprovou o que explica a queda na idade dos diagnósticos.
Redação Bairrista · Repórter de Geral · · 3 min de leitura

O câncer colorretal tem aparecido com mais frequência em pacientes na casa dos 30 e 40 anos, afirma Daniel Azambuja, chefe da coloproctologia do Hospital Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre. A observação veio depois da morte da atriz e cantora Lua Blanco, aos 39 anos, no domingo (18), em decorrência de um câncer de intestino.
Para quem vive no RS, isso significa ficar atento a sintomas que costumam ser deixados de lado em adultos jovens. Segundo Azambuja, a recomendação de rastrear a doença por colonoscopia já começa aos 45 anos, e pessoas com histórico familiar ou sintomas podem precisar de exame antes, a critério médico.
O que se sabe sobre o aumento entre jovens
O próprio Azambuja diz que não há comprovação científica sobre o que provoca a queda da faixa etária.
Ele cita hipóteses em estudo: fatores comportamentais, genética, maior consumo de ultraprocessados e embutidos, pouca fibra na dieta e o uso de alguns agrotóxicos em verduras.
Números do RS
O INCA estima, para 2026, 3.690 casos novos de câncer de cólon e reto no Rio Grande do Sul, sendo 1.820 em homens e 1.870 em mulheres. A taxa bruta estimada é de 32,81 casos por 100 mil habitantes. O número vale para todas as idades.
No país, o INCA classifica o câncer colorretal entre os tumores com grande potencial de prevenção e detecção precoce, e ele segue entre os mais incidentes.
Sintomas que pedem investigação
Azambuja lista quatro sinais de alerta: sangue e mudanças no formato das fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal e perda de peso sem causa aparente. Nenhum deles confirma câncer sozinho, mas todos justificam consulta.
O médico explica que esses sintomas costumam ser confundidos com hemorroidas ou atribuídos à alimentação. Os mais jovens, diz ele, também demoram a ligá-los a uma doença grave, e a investigação atrasa. Um exemplo dado por Azambuja: quem sempre teve intestino preso e passa a ir ao banheiro com mais frequência mudou de hábito, e isso precisa ser avaliado.
Rastreamento no SUS e na rede particular
O Ministério da Saúde incluiu na tabela de procedimentos do SUS o Teste Imunoquímico Fecal (FIT), destinado a homens e mulheres assintomáticos de 50 a 75 anos. O rastreamento é bienal, ou seja, a cada dois anos. A portaria deixa claro que o teste não serve para investigar pessoas com sintomas ou suspeita clínica de câncer.
Quem tiver resultado positivo no FIT é encaminhado para colonoscopia, que segue como padrão-ouro para diagnóstico e tratamento. A coleta é feita em casa, com uma amostra de fezes. Na rede particular, segundo Azambuja, não há idade-limite definida, e a indicação deve ser avaliada por um médico.
Para a prevenção, o especialista recomenda atividade física, peso adequado e alimentação baseada em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, com preferência por alimentos in natura ou minimamente processados.
Quem tem sintomas persistentes, de qualquer idade, deve procurar a unidade básica de saúde do bairro ou um médico, sem esperar a idade do rastreamento. Quem tem de 50 a 75 anos e nenhum sintoma pode perguntar na UBS sobre o FIT.
Perguntas frequentes
Quando começa o rastreamento de câncer de intestino?
Segundo o médico, a recomendação de colonoscopia começa aos 45 anos, e pessoas com histórico familiar ou sintomas podem precisar de exame antes, a critério médico.
Quais são os sintomas de alerta do câncer de intestino?
Sangue e mudanças no formato das fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dor abdominal e perda de peso sem causa aparente.
Quem tem de 50 a 75 anos pode fazer o FIT pelo SUS?
Sim, o Teste Imunoquímico Fecal é destinado a homens e mulheres assintomáticos dessa faixa etária, com rastreamento a cada dois anos; quem tem sintomas deve procurar a UBS ou um médico.
O FIT serve para investigar sintomas?
Não. A portaria deixa claro que o teste não serve para investigar pessoas com sintomas ou suspeita clínica de câncer.
Saber mais
- INCA – Rio Grande do Sul, estimativa dos casos novos 2026
- INCA – SUS inclui teste para rastreamento de câncer colorretal
- INCA – Estimativa 2026–2028
- Agência Brasil – SUS adota novo exame para rastrear câncer colorretal
- ISTOÉ – SUS inclui teste FIT (portaria no Diário Oficial da União)
- Portal N10 – Teste FIT vira referência no SUS (Conitec)
- Alerta de pauta (declarações de Daniel Azambuja, a confirmar diretamente com a Santa Casa)
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