Maçã do RS enfrenta dificuldade para chegar à Europa mesmo com acordo Mercosul-UE em vigor
As exportações brasileiras da fruta passaram de 220% no semestre, segundo a ABPM, mas a Emater relata estoque alto e preço baixo na Serra.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:10 · 2 min de leitura

O acordo Mercosul-União Europeia vale desde 1º de maio, e a maçã está entre as frutas com acesso facilitado ao mercado europeu. Na prática, produtores da Serra ainda lidam com estoques altos e dificuldade para embarcar parte da safra ao bloco, segundo a Emater/RS-Ascar.
Para quem planta maçã na Serra gaúcha, a Europa pesa no preço pago no mercado interno. No Informativo Conjuntural de 20 de agosto, a Emater relatou que as dificuldades para enviar a fruta à Europa levaram a uma retenção maior da produção no mercado brasileiro.
Preço da fruta de primeira subiu, o resto segue baixo
Na região administrativa da Emater em Caxias do Sul, a fruta estocada é vendida abaixo dos valores de ciclos anteriores na Ceasa/Serra. A maçã classificada e embalada, de melhor qualidade, teve leve alta: o preço passou de R$ 4,35 para R$ 4,72 por quilo. A Emater também aponta a concorrência de frutas importadas como fator de pressão.
Exportação cresce no ano, puxada pela safra maior
No país como um todo, os embarques cresceram. As exportações brasileiras de maçã subiram mais de 220% em volume no primeiro semestre de 2026, segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM). Em valor, o Comex Stat registra US$ 39,64 milhões de janeiro a maio, 222% acima do mesmo período de 2025.
A ABPM atribui o salto à recuperação da produção após duas safras menores, afetadas por eventos climáticos. A safra nacional foi estimada entre 1,05 milhão e 1,15 milhão de toneladas, e o RS responde por 47% da produção do país. A colheita foi aberta oficialmente em Vacaria, nos Campos de Cima da Serra.
O diretor executivo da ABPM, Moisés Lopes de Albuquerque, avalia que o conflito no Oriente Médio limitou o resultado. Para ele, o volume exportado poderia ter ao menos dobrado.
O que o acordo muda para a maçã
O tratado foi assinado em 17 de janeiro de 2026, e a parte comercial passou a valer de forma provisória em 1º de maio. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a maçã não tem cotas e as tarifas serão eliminadas por completo. O prazo para zerar a tarifa da fruta é de dez anos.
Segundo semestre tem ritmo menor
Os embarques brasileiros se concentram no primeiro semestre. A ABPM prevê ritmo menor na segunda metade do ano, porque mais de 90% da produção mundial está no Hemisfério Norte, onde a colheita ocorre entre julho e dezembro. Para o produtor gaúcho, a fruta que sobra no país segue pressionando o preço.
Saber mais
- Canal Rural (ABPM, exportações no primeiro semestre)
- Agrolink (Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, preço da maçã)
- Senado Notícias (entrada em vigor do acordo Mercosul-UE)
- CNA (Acordo de Parceria Mercosul-UE)
- Times Brasil (frutas e acordo Mercosul-UE)
- Grupo A Hora (abertura da safra em Vacaria)
- Portal do Agronegócio (sazonalidade das exportações)
- Notícia Marajó (dados do Comex Stat)
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