Embrapa explica o LINA a produtores de Morro Redondo; leite não ácido fica sem coleta
O teste do alizarol não separa o leite instável do ácido, e o RS tem hoje 28.946 produtores, 12,3% menos que em 2023.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 09:02 · 3 min de leitura

Um leite que reprova no teste do álcool, mas não é ácido, deixa produtores de Morro Redondo, na Região Sul, com o tanque cheio e sem caminhão para buscar. A pesquisadora da Embrapa Clima Temperado Maira Zanela explicou o problema, o LINA (Leite Instável Não Ácido), em reunião no Centro Cultural de Eventos Valdino Krause. O encontro foi promovido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Rural e Turismo e pelo escritório municipal da Emater/RS-Ascar.
Para quem vive do leite, o ponto central é o prejuízo. Segundo Zanela, o leite com LINA pode ser aproveitado no consumo e em alguns derivados. Mesmo assim, o freteiro não recolhe, porque a legislação manda e o único teste disponível, o do álcool/alizarol, não diferencia LINA de leite ácido. O leite que fica na propriedade vira perda.
A pesquisadora disse que o LINA leva dois ou três dias para se manifestar e pode levar até um mês para desaparecer. A produtora Cátia Lidiane Timm, que esteve na reunião, contou que já perdeu muito leite por causa do problema.
Diagnóstico ainda depende de diferenciar LINA e acidez
A Embrapa afirma que o diagnóstico correto do LINA depende de diferenciar se o problema vem do próprio LINA ou de leite ácido. A Embrapa Clima Temperado atua há duas décadas no Projeto Lina, a partir de queixas de produtores leiteiros da Região Sul.
Em trabalho divulgado pela empresa, Zanela relata que o equipamento SondaLeite está em avaliação para criar uma metodologia de diagnóstico diferencial. A meta é identificar leite normal, leite ácido e LINA. Outra publicação técnica da Embrapa registra que, quanto maior a concentração do álcool usada no teste, maior a ocorrência de LINA.
Falta de volumoso, calor e tempo de lactação pesam
Zanela explicou que o LINA é um distúrbio metabólico, ligado à vaca e às condições a que ela está exposta. A falta de volumoso é uma das causas, e por isso a pesquisadora defendeu o planejamento forrageiro.
O calor também entra na conta. A vaca sente o excesso de temperatura quando falta água ou sombra, e o cuidado vale para as pastagens de verão. A pesquisadora recomendou plantar árvores para dar sombra ao rebanho. Outros fatores são o tempo de lactação, que aumenta a predisposição ao LINA quanto mais longo, e a genética de cada animal.
Ao final, a Embrapa demonstrou como o teste funciona, com leite das vacas da própria instituição e amostras levadas pelos produtores. Na abertura esteve o chefe do escritório da Emater/RS-Ascar, Evaldo Voss.
Número de produtores cai no estado
A conversa ocorreu em meio à redução de produtores de leite no Rio Grande do Sul. A 6ª edição do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite foi apresentada na Expointer de 2025. Os estabelecimentos que vendem leite cru à indústria ou processam em agroindústria legalizada passaram de 33.019, em 2023, para 28.946, em 2025, queda de 12,3%. Há dez anos, eram 84.199 estabelecimentos no estado.
A produção, porém, ficou estável.
Parceria com a Embrapa formaliza apoio
Segundo a extensionista do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, a reunião faz parte de um protocolo de intenções entre a Embrapa e a prefeitura. O documento formaliza o apoio dos pesquisadores aos produtores de Morro Redondo, com mediação da Extensão Rural. A extensionista informou que novas ações para qualificar a produção dos agricultores familiares do município estão em planejamento.
Serviço
- Quem procurar: o escritório municipal da Emater/RS-Ascar em Morro Redondo, para orientação sobre manejo e planejamento forrageiro.
- Para ler: a Circular Técnica da Embrapa Clima Temperado sobre coleta de amostras e diagnóstico do LINA está no repositório Infoteca, da Embrapa.
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