Lula cita bets 4 vezes por vídeo no 2º turno, contra 11 no 1º; foco vai para a 6x1
Levantamento de 46 vídeos do canal do presidente mostra que o tema dos clubes também saiu dos discursos, enquanto a Quaest aponta 72% de apoio ao veto.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reduziu as menções às bets depois do primeiro turno, disputado em 4 de outubro. Um levantamento jornalístico analisou as transcrições de 46 vídeos do canal do presidente no YouTube, publicados até 15 de outubro. A média caiu de 11 menções por vídeo no primeiro turno para quatro no segundo.
O tema que ocupou o centro da reta final do primeiro turno cedeu espaço ao pacote de medidas econômicas. Segundo o levantamento, entraram em cena o fim da escala 6x1 e o perdão de dívidas de microempreendedores individuais (MEIs). Também ficaram mais duros os ataques ao adversário, o senador Flávio Bolsonaro (PL). O eleitor gaúcho, como o do resto do país, volta às urnas no segundo turno, em 25 de outubro.
Proibição das bets teve pico em setembro
Lula assinou em 25 de setembro a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa e os cassinos online no país. No dia da assinatura, o presidente criticou o discurso dos clubes de futebol. Segundo a transcrição analisada no levantamento, ele citou Flamengo, São Paulo, Corinthians e Grêmio como campeões antes das bets.
A última vez em que Lula tratou com atenção dos clubes, conforme o levantamento, foi em 1º de outubro, quando sugeriu que eles adotassem o modelo de sociedade anônima do futebol (SAF). Em 8 de outubro, ele voltou a citar o assunto de passagem. O levantamento também registra que o presidente deixou as bets de lado no debate da Band, realizado em 18 de outubro, em São Paulo.
As bets não sumiram por completo: em ato político em Natal, segundo o levantamento, Lula voltou a atacar as apostas. A campanha de Lula não explicou a mudança de ênfase.
Quaest: 72% apoiam proibição, mas pesquisa não mede voto
A pesquisa Genial/Quaest divulgada em 14 de outubro mostra que 72% dos brasileiros apoiam a proibição das plataformas de apostas esportivas e cassinos online. Destes, 64% já conheciam a proposta e eram favoráveis; outros 8% não conheciam, mas avaliaram bem a medida depois de informados. Na rodada anterior, divulgada em 28 de setembro, o índice era de 62%.
O instituto entrevistou 2.154 eleitores de 16 anos ou mais, de 10 a 13 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e está registrada no TSE sob o número BR-08729/2026. Ela mede a opinião sobre a medida e não indica necessariamente apoio eleitoral ao candidato que a defende.
A cientista política Carolina de Paula, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Uerj (IESP-UERJ), afirma que campanhas definem os temas com base em pesquisas de opinião, testes qualitativos e escuta das redes. Para ela, um assunto que sai da pauta não indica fracasso: o tema se esgota, e os ciclos ficaram mais rápidos com a digitalização.
Flávio separa apostas esportivas de cassinos
A posição de Flávio Bolsonaro também apareceu na campanha. Em 23 de setembro, ele disse ser contra jogos em geral, mas defendeu manter as apostas em esportes reais. No dia seguinte, prometeu que, se eleito, proibiria os cassinos online, incluindo o "jogo do tigrinho", e manteria as apostas esportivas de quota fixa. Em 25 de setembro, chamou a MP de estelionato eleitoral, porque, por ser temporária, ela poderia caducar depois da eleição. A propaganda do senador acusa o governo Lula de ter sido o "pai do tigrinho", por causa da inclusão dos caça-níqueis online na regulamentação sancionada no fim de 2023.
O segundo turno será em 25 de outubro, domingo, com votação das 8h às 17h, em todas as seções do país, inclusive nas do Rio Grande do Sul.
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