Liquidante do Master diz à Câmara que não achou registro de patrocínio a "Dark Horse"
Origem dos R$ 62 milhões enviados por Vorcaro ao filme sobre Bolsonaro segue sem resposta, e a PF pediu mais 90 dias de inquérito.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 09:58 · 2 min de leitura

O liquidante do Banco Master, Eduardo Bianchini, informou à Câmara dos Deputados que não encontrou documentos que comprovem patrocínio, financiamento ou aporte do banco ao filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Ele afirmou, em documento oficial, que não achou registros do banco que indiquem a transação. A resposta veio a público nesta sexta-feira (16).
O ofício contradiz a versão do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, de que o dinheiro foi patrocínio. Os eleitores gaúchos, como os do resto do país, votam no segundo turno no dia 25 , e a origem do dinheiro do filme está no centro da campanha.
O que diz o ofício
Bianchini respondeu a um pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo o ofício, as buscas não localizaram documentos de financiamento, patrocínio ou aporte ao filme, feito diretamente pelas instituições em liquidação ou por terceiros, dentro dos limites do material consultado.
Ele também disse não ter achado documentos sobre possíveis operações das instituições com o Havengate Development Fund LP relacionadas à produção.
O dado revela o que não está nos arquivos do banco em liquidação. Não esclarece de onde saiu o dinheiro, que segue sob investigação.
Flávio fala em "relação privada"
Na sabatina do Jornal Nacional, na noite de sexta, Flávio voltou a defender que o financiamento foi um patrocínio privado .
Ele nunca apresentou um contrato que oficializasse o patrocínio.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, a assessoria do candidato disse que ele apenas buscou o patrocínio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Master. Afirmou que ele não participou da efetivação dos pagamentos nem foi informado de como foram feitos.
O caminho do dinheiro
A Polícia Federal identificou que o pagamento para o filme foi feito pela Entre Investimentos, comandada por Antônio Carlos Freixo Júnior.
A origem do dinheiro não foi revelada até agora.
Freixo Júnior é delator no caso Master. Ele afirmou que a operação lhe foi apresentada como investimento em fundo imobiliário, com projetos no Texas e na Flórida. Segundo o relato dele à PF, não foi informado de que o dinheiro iria para um filme.
PF quer mais 90 dias
A PF pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação por 90 dias do inquérito sobre os pagamentos de Vorcaro ao filme.
O inquérito foi instaurado em 23 de julho e apura indícios de evasão de divisas, organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa.
Em julho, Flávio Bolsonaro foi incluído no inquérito e passou a ser investigado.
O delegado responsável pelo caso, Anderson Rodrigo Andrade de Lima, disse que o prazo extra é necessário para concluir perícias contábeis. A PF também aguarda a tramitação de um pedido de cooperação internacional com os Estados Unidos. O pedido de prorrogação aguarda decisão de Mendonça, relator do caso no STF.
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