Linfoma não Hodgkin, que matou Netinho, deve ter 12,5 mil casos novos por ano no país
Ínguas que não somem, febre sem causa e suor noturno pedem consulta; no RS, a porta de entrada é a unidade básica de saúde.
Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 18:34 · 3 min de leitura

O cantor Netinho morreu nesta terça (13), aos 60 anos, no Hospital Aliança Star, em Salvador. A morte foi confirmada pela assessoria do artista, que informou que ele enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, evoluído para falência renal e disfunção múltipla de órgãos.
No RS, se tu ou alguém da tua família percebeu ínguas que não desaparecem, o caminho é procurar a unidade básica de saúde (UBS) do teu município. Ela avalia o caso e encaminha para a investigação com especialista, quando for preciso.
Tipo B responde por 85% dos casos
É um câncer que começa no sistema linfático, a rede de vasos, gânglios e órgãos, como o baço e as amígdalas, que ajuda a defender o corpo. Nele, os linfócitos, células de defesa, sofrem mutações e se acumulam de forma desordenada nos gânglios e em outros órgãos.
Quando as células alteradas são os linfócitos B, o linfoma é "do tipo B". Esses são os mais comuns e representam cerca de 85% dos casos de linfoma não Hodgkin, segundo o A.C. Camargo Cancer Center. Há ainda os linfomas de células T e de células NK, menos frequentes.
A hematologista Talita Maira Bueno da Silveira, do A.C. Camargo, explicou que o caso de Netinho foi um linfoma plasmablástico. É um subtipo de células B raro e mais frequente em pessoas imunossuprimidas.
Íngua que persiste ou cresce merece avaliação
Entre os principais sintomas estão ínguas persistentes, febre sem causa aparente, suor noturno intenso, cansaço e perda de peso inexplicada. As ínguas costumam aparecer no pescoço, nas axilas e nas virilhas.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) orienta investigar sintomas que não desaparecem após alguns dias ou que surgem sem causa identificável. Íngua, sozinha, não quer dizer câncer: infecções comuns também provocam. Mas gânglio que persiste ou cresce merece avaliação médica.
Para quem não tem sintomas, o Inca não recomenda exames de rastreamento, porque não há evidência de que tragam mais benefício do que risco. Entre os fatores associados a maior risco estão alterações do sistema imunológico, infecção pelo HIV, algumas doenças hereditárias e o uso prolongado de imunossupressores.
Biópsia define o tipo de linfoma e o tratamento
O diagnóstico depende de consulta e exames. A biópsia de um gânglio ou de outro tecido afetado identifica o tipo de linfoma, e exames de sangue e de imagem ajudam a medir a extensão da doença.
O tratamento varia conforme o subtipo, o estágio e a condição clínica do paciente. Entre as alternativas estão quimioterapia, imunoterapia e terapias direcionadas. Em situações selecionadas, o médico pode indicar transplante de células-tronco.
Inca estima 12.560 casos novos por ano até 2028
O Inca estima 12.560 casos novos de linfoma não Hodgkin por ano no Brasil entre 2026 e 2028, sendo 6.580 em homens e 5.980 em mulheres. Excluídos os tumores de pele não melanoma, a doença ocupa a 11ª posição entre os cânceres mais incidentes do país. Em 2024, foram 5.046 mortes por linfoma não Hodgkin.
No SUS, tratamento deve começar em até 60 dias
- Procura a UBS do teu bairro ou a Secretaria Municipal de Saúde e relata os sintomas.
- O médico avalia, pede os primeiros exames e, se houver suspeita, encaminha para hematologia ou oncologia.
- A biópsia e o tratamento acontecem em serviço habilitado em oncologia no SUS, para onde a regulação do município encaminha o paciente.
Pela Lei 12.732, o primeiro tratamento no SUS deve começar em até 60 dias após o laudo que confirma o câncer. Em caso de dúvida sobre o encaminhamento, a Secretaria Municipal de Saúde informa em que ponto está o pedido.
Serviço
- Onde começar: UBS ou Secretaria Municipal de Saúde do teu município
- Dúvidas sobre o SUS: Disque Saúde, 136
- Estimativas por estado: página de estimativas do Inca (gov.br/inca)
Perguntas frequentes
Quais são os sintomas do linfoma não Hodgkin?
Ínguas persistentes (no pescoço, nas axilas e nas virilhas), febre sem causa aparente, suor noturno intenso, cansaço e perda de peso inexplicada.
Íngua no pescoço significa câncer?
Não. Infecções comuns também causam íngua. M
Saber mais
- Gazeta do Paraná (estimativas do Inca)
- Correio (estimativas e mortalidade do Inca)
- Bem Paraná (fatores de risco, Inca)
- Diário da Manhã (rastreamento, A.C. Camargo)
- Jornal de Brasília (linfoma tipo B)
- Jornal da Mídia (hematologista Talita Silveira)
- Cenário MT (linfoma plasmablástico)
- NC News (sintomas)
- Márcia Piovesan (tratamentos)
- Soub Brasília (nota da assessoria)
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