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MPF negocia com a Kinross reparação a 1,3 mil famílias quilombolas de Paracatu (MG)

Indenização é estimada entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão; julgamento no TRF-6 foi suspenso por 60 dias, com expectativa de entendimento até novembro.

Redação Bairrista · 14 de outubro de 2026 às 19:49 · 2 min de leitura

Vista de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, região da mina Morro do Ouro, da Kinross. Foto: Ricardo S Moreira/Wikimedia Commons
Foto: Ricardo S Moreira / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O Ministério Público Federal (MPF) negocia com a mineradora canadense Kinross Gold Corporation um acordo para reparar três comunidades quilombolas de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais. O procurador regional da República José Adércio Leite Sampaio esteve na cidade na semana passada. Cerca de 1,3 mil famílias podem ser beneficiadas.

O acordo envolve as comunidades de Machadinho, Amaros e São Domingos. A indenização é estimada entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão.

MPF negocia em três eixos

A negociação tem três eixos: reconhecimento oficial das comunidades, garantia dos direitos territoriais e definição de critérios para indenizações e reassentamentos. A conversa ocorre dentro de uma ação civil pública em tramitação no Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6).

Na visita, o procurador percorreu as instalações da mineradora, reuniu-se com representantes das três comunidades e encontrou moradores do Quilombo do Machadinho. "A busca por um acordo não significa flexibilizar exigências, mas assegurar com celeridade o direito à terra, à justa indenização e à segurança", afirmou Sampaio.

O MPF também cita problemas de saúde. Perícias do órgão encontraram níveis elevados de arsênio na urina de moradores e no material particulado do ar perto da mina.

Julgamento está suspenso por 60 dias

O advogado Guilherme Bicalho, que defende as comunidades, disse que o julgamento de agosto teve dois votos contra as indenizações. O procurador pediu a suspensão para abrir espaço à negociação. Segundo Bicalho, o julgamento foi suspenso por 60 dias, e a expectativa é de entendimento até novembro.

Kinross diz respeitar o Judiciário

Em nota enviada à Agência Brasil, a Kinross disse acompanhar a ação civil pública nº 0001628-72.2009.4.01.3806. A empresa afirmou respeitar o Poder Judiciário e os procedimentos de reconhecimento territorial conduzidos pelos órgãos competentes.

Comunidades cobram reparação há mais de 17 anos

A empresa instalou estrutura e barragem de rejeitos no território do Machadinho para explorar a mina de ouro e prata Morro do Ouro. As três comunidades reivindicam há mais de 17 anos medidas de reparação por impactos socioambientais, territoriais e culturais.

A presidente da associação de moradores do Machadinho, Claudinês Lopes, de 32 anos, diz que a avó morreu aos 99 anos sem ver a reparação.

Acordo ainda depende do TRF-6

Até novembro, MPF, comunidades e Kinross tentam chegar a um texto de acordo, que ainda precisa passar pelo TRF-6.

Perguntas frequentes

Quanto pode chegar a indenização às comunidades quilombolas de Paracatu?

A indenização é estimada entre R$ 500 milhões e R$ 1,2 bilhão, segundo a matéria. Cerca de 1,3 mil famílias podem ser beneficiadas.

Quais comunidades quilombolas estão no acordo com a Kinross?

Machadinho, Amaros e São Domingos, no Noroeste de Minas Gerais.

Até quando o julgamento no TRF-6 está suspenso?

O julgamento foi suspenso por 60 dias, e a expectativa é de entendimento até novembro, segundo o advogado Guilherme Bicalho.

Quais são os eixos da negociação entre MPF e Kinross?

São três: reconhecimento oficial das comunidades, garantia dos direitos territoriais e critérios para indenizações e reassentamentos.

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