França tem 272 prisões em protestos contra alta do custo de vida
Manifestações reuniram estudantes, sindicatos e ex-coletes amarelos, e a inflação francesa chegou a 3,1% em 12 meses em setembro.
Redação Bairrista · 17 de outubro de 2026 às 14:51 · 2 min de leitura

Protestos contra a alta do custo de vida tomaram cidades da França neste sábado (17), com confrontos com a polícia, incêndios e saques. O Ministério do Interior informou ao menos 272 prisões no país, segundo balanço divulgado ao longo do dia.

O motor das manifestações é o preço de combustíveis e de itens básicos, que pesa no bolso dos franceses. A mobilização também carrega a pauta das escolas, com falta de professores e estruturas em más condições. A energia subiu 21,3% em 12 meses, segundo o instituto oficial de estatística (INSEE).
Confrontos em Paris, Marselha e Lyon
Centenas de jovens enfrentaram a polícia na Place de la République, em Paris.
Em algumas áreas, a polícia respondeu com gás lacrimogêneo e canhões d'água.
Muitas estações de metrô fecharam a pedido da polícia, inclusive as da região da Champs-Élysées e as próximas ao palácio presidencial.
Em Marselha, lojas e uma delegacia da polícia municipal foram danificadas, e manifestantes entraram por pouco tempo no saguão da prefeitura.
Um escritório de turismo de Lyon foi incendiado.
Até o meio-dia, o gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, contou 140 ações de protesto fora da região de Paris, com mais de 30 mil pessoas. Os organizadores falam em número bem maior: mais de 800 mil participantes em todo o país.
O que diz o governo
O Ministério do Interior atribuiu a violência em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers a pessoas encapuzadas.
Jean-Luc Mélenchon, líder do partido de esquerda radical França Insubmissa, responsabilizou as autoridades por bloquear o acesso de manifestantes à Place de la République.
Nuñez havia avisado que as forças de segurança poderiam usar armas intermediárias, como granadas de efeito moral, em caso de violência.
Estudantes, sindicatos e ex-coletes amarelos
Os atos nasceram de protestos de secundaristas. Eles começaram no mês passado em uma escola de Créteil, perto de Paris, contra a falta de professores e a deterioração das instalações.
O movimento ampliou-se para a desigualdade e o custo de vida e coincide com atos sindicais contra o projeto de orçamento de 2027 e o corte do déficit.
As manifestações já influenciam a campanha presidencial do país.
Pelos dados mais recentes do INSEE, os preços ao consumidor subiram 3,1% em 12 meses em setembro, após alta de 2,4% em agosto.
Além da energia, os serviços subiram 2,4% e a alimentação, 1,4%.
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