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Fogo chega a 800 metros de caverna com arte de 51 mil anos em Sulawesi, na Indonésia

Pesquisadores alertam que calor e fuligem ameaçam também o estêncil de mão de 67,8 mil anos da ilha de Muna; mais de 270 hectares do parque queimaram desde 30 de setembro.

Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 1 min de leitura

Painel de arte rupestre na caverna Leang Tedongnge, em Sulawesi, Indonésia. Foto: Basran Burhan (CC BY-SA 4.0).
Foto: Basran Burhan / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Incêndios florestais chegaram a 800 metros de uma caverna com pinturas rupestres em Maros-Pangkep, em Sulawesi do Sul, na Indonésia. O dirigente local Muhammad Ikfar disse que o fogo queimou perto do local por mais de uma semana neste mês. Pesquisadores avisam que calor e fumaça podem acelerar a deterioração de um dos conjuntos de arte mais antigos do mundo.

A Indonésia vive os piores incêndios florestais em mais de uma década, com um El Niño severo que eleva as temperaturas e reduz as chuvas. O mesmo fenômeno climático costuma alterar o regime de chuvas no Rio Grande do Sul, mas o episódio é local e não tem efeito direto no estado.

Calor corrói a rocha, fuligem cobre as imagens

Na caverna de Maros-Pangkep, uma cena com figuras humanoides e um porco foi datada por pesquisadores da Griffith University, da Austrália, em pelo menos 51.200 anos. Em Muna, ilha ao largo de Sulawesi, um estêncil de mão avermelhado foi datado em pelo menos 67.800 anos.

O arqueólogo Basran Burhan, da Griffith University, explicou que, mesmo sem o fogo tocar as pinturas, a mudança de temperatura no entorno acelera a corrosão da rocha. Segundo ele, a fumaça deixa fuligem que cobre as imagens e as torna borradas e difíceis de identificar. Burhan afirmou que, sem medidas de proteção, o país perderá um dos registros mais notáveis da história humana na região.

Parque perdeu mais de 270 hectares

Segundo Ikfar, mais de 270 hectares do parque nacional queimaram entre 30 de setembro e 18 de outubro. Sumatra e Bornéu são as ilhas mais atingidas, mas o fogo também avançou sobre Sulawesi.

Na quinta (22) e nesta sexta (23), os bombeiros trabalharam para apagar focos em outras partes do parque, em condições secas e sem chuva até agora.

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