Estudo na Nature aponta ação humana como motor das emissões de carbono da Amazônia
Pesquisa do Inpe com 15 anos de medições aéreas calcula que a floresta emitiu, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu por ano.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

A pesquisadora Luciana Gatti, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), liderou um estudo que liga as emissões de carbono da Amazônia principalmente ao desmatamento e às queimadas. O trabalho foi publicado na quarta-feira (21) na revista Nature e analisou 15 anos de medições aéreas de dióxido de carbono sobre a floresta. Os dados vão de 2010 a 2024.

Nesse período, a Amazônia lançou na atmosfera, em média, 1,17 bilhão de toneladas de CO₂ a mais do que absorveu por ano. O clima extremo entra na conta como amplificador: o título do artigo, em tradução livre, é "Emissões de carbono da Amazônia impulsionadas por ações humanas e amplificadas pelas secas".
Anos úmidos emitem bem menos que anos de seca e fogo
Os pesquisadores separaram os 15 anos em três grupos, de acordo com chuva, temperatura e pressão humana sobre a floresta. As médias anuais de carbono emitido foram de 408 milhões de toneladas de CO₂ no primeiro grupo, 1,58 bilhão no segundo e 1,80 bilhão no terceiro.
Grupo 1 (2011 a 2014, 2017 e 2018): anos de maior umidade e menor atividade humana.
Grupo 2 (2019 a 2022): menor estresse climático, mas com intensificação do desmatamento e da degradação da floresta.
Grupo 3 (2010, 2015, 2016, 2023 e 2024): temperaturas mais altas, estiagens e maior pressão humana.
No segundo grupo, mesmo sem estresse climático forte, a média de emissões ficou perto da dos anos de seca, o que, segundo o estudo, aponta a ação humana como fator central.
Voos em quatro pontos da floresta
O grupo usou dados coletados por voos de aviões de pequeno porte, com análise de CO₂ e monóxido de carbono (CO) no Laboratório de Gases de Efeito Estufa do Inpe. As coletas ocorreram em quatro localidades, para cobrir nordeste, sudeste, sudoeste e noroeste da Amazônia.
Gatti resumiu a conclusão assim: "Quem mais afeta a Amazônia, quem está matando a floresta, não é a mudança climática, mas a ação humana."
O saldo de 1,17 bilhão de toneladas equivale a mais da metade das emissões brutas do Brasil em 2025, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).
O grupo de Gatti segue com a pesquisa. Desde 2022, os cientistas analisam dados de sulfeto de carbonila (COS), variante química do CO₂, para medir a fotossíntese da floresta com mais precisão.
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