Estudo estima 50.391 mortes por calor em 854 cidades da Europa no verão de 2026
Pesquisadores britânicos atribuem 32.619 dessas mortes ao aquecimento causado pela atividade humana; o número é estimado por modelo, não contado óbito a óbito.
Redação Bairrista · Repórter de Clima · · 2 min de leitura

Um estudo divulgado nesta sexta (23) estima que o calor esteve associado a 50.391 mortes em 854 cidades de 30 países europeus entre junho e agosto de 2026. Desse total, 32.619 mortes teriam sido causadas pelo calor extra gerado pela queima de carvão, petróleo e gás, o equivalente a cerca de dois terços. O trabalho, de pesquisadores do Imperial College London e da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, sai na revista Nature Health.
Para quem vive no Rio Grande do Sul, o estudo não traz dados sobre o Brasil nem sobre a América do Sul: o recorte é só de cidades europeias. O que ele mostra é quem mais sofre quando o calor passa do limite. Mais da metade das vítimas tinha 85 anos ou mais, e mais de 800 tinham entre 20 e 44 anos.
Número vem de modelo, não de contagem
Os números são estimativas. Os cientistas compararam as temperaturas de 2026 com as que seriam esperadas num mundo sem mudança climática. Depois, usaram pesquisas já revisadas por pares sobre a relação entre calor e mortes diárias para calcular os óbitos prováveis. Um pesquisador consultado pelo Science Media Centre da Espanha lembrou que o cálculo parte de temperaturas observadas e modelos epidemiológicos, sem incorporar dados reais de óbitos ocorridos no verão de 2026.
As 854 cidades reúnem cerca de 40% da população dos países estudados. Os autores dizem que o total é subestimado: a conta não inclui uma onda de calor mortal de maio e só olha essas cidades.
Pior que 2022, com Itália na frente
É o maior número em 26 anos, bem acima dos verões de 2022 e 2003. O recorde anterior era de 29.480 mortes, em 2022, o que torna o resultado de 2026 71% maior. Itália, França, Espanha, Alemanha e Reino Unido foram os cinco países mais afetados, nessa ordem.
Cerca de um terço das mortes ocorreu entre 17 de junho e 1º de julho, quando as temperaturas ficaram 5,3°C acima do normal, segundo o coautor Garyfallos Konstantinoudis, bioestatístico do Imperial College London. Apenas cerca de 6 mil das mortes ocorreram em pessoas com menos de 65 anos.
Clair Barnes, pesquisadora do Imperial College London, afirmou que se pode dizer "com bastante confiança" que 2026 provavelmente foi o pior verão já registrado em mortes por calor em boa parte da Europa. A autora principal também disse que a infraestrutura do oeste e do norte europeu não foi projetada para lidar com essas temperaturas.
A Organização Mundial da Saúde chamou 2026 de "ensaio geral" do que está por vir, e os pesquisadores defendem cortar as emissões de gases de efeito estufa e ampliar a proteção da população em períodos de calor extremo.
O estudo aparece em edição já anunciada da Nature Health, que reúne os dois artigos sobre o verão de 2026 na Europa.
Saber mais
- CNN – Brutal summer heat wave killed more than 50,000 in Europe's cities
- The Washington Times (AP) – Europe's killer heat this summer claims 50,000 lives
- Korea Times (AP) – Europe's killer heat this summer claims 50,000 lives
- Science Media Centre España – Summer 2026 resulted in more than 50,000 heat-related deaths in Europe
- Grist – Europe's hottest summer ever was also its deadliest
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