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Flávio promete acabar com 'entraves ambientais' no Pará; ISA e Greenpeace criticam

Na Amazônia, o desmatamento caiu a 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, o menor nível da série do Inpe, iniciada em 1988.

Redação Bairrista · Repórter de Política · · 2 min de leitura

Vista aérea de floresta amazônica cortada por rios e lagos.
Foto: Divulgação/Agência Brasil

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, fez uma promessa nesta segunda (19), em ato de campanha em Marabá, no sudeste do Pará. Ele disse que vai acabar com "entraves ambientais" para que produtores rurais façam "o que quiserem" em suas terras. Entidades ambientalistas criticaram a promessa nesta terça (20).

A fala vale para o país inteiro, não só para o Pará. Flávio disputa o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e a política ambiental federal define regras de fiscalização que alcançam todos os estados, inclusive o Rio Grande do Sul. Ele prometeu a maior regularização fundiária da história do Pará e não detalhou quais normas pretende alterar ou revogar se for eleito. Por isso, ainda não há como medir efeito direto sobre o RS.

O que Flávio disse em Marabá

A declaração foi feita durante uma motocarreata. Flávio cumpriu compromissos no Pará e no Amazonas. Ele disse que o produtor vai poder plantar e criar gado, e que o que explorar da terra será seu. Sobre as regras ambientais, afirmou: "Esses entraves que existem, ambientais, e principalmente por causa de razões ideológicas, a gente vai acabar".

Entidades citam retorno ao governo Bolsonaro

O Instituto Socioambiental (ISA) afirmou que Flávio reproduziu "o discurso mais atrasado" sobre a Amazônia. Para o instituto, tratar a região como área a ser ocupada em modelo predatório é voltar à década de 1970.

A coordenadora de Desmatamento Zero do Greenpeace Brasil, Cristiane Mazzetti, disse que o meio ambiente não deve ser tratado como questão ideológica. Segundo ela, as normas vigentes protegem direitos coletivos, e o discurso ameaça os resultados na redução do desmatamento desde 2023.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Marcio Astrini, afirmou que a fala traz o risco de o país voltar aos tempos do governo de Jair Bolsonaro, pai do candidato. Ele relacionou a declaração à frase sobre "passar a boiada", dita pelo então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Salles a disse em reunião ministerial, em abril de 2020. A campanha de Flávio não se manifestou sobre as críticas.

Desmatamento está no menor nível da série

O governo federal divulgou na sexta-feira (16) os dados do Prodes, o sistema de satélites do Inpe. O desmatamento na Amazônia foi de 3.335 km² entre agosto de 2025 e julho de 2026, queda de 41,8% sobre os 5.731 km² do período anterior. É a menor taxa desde 1988.

Pela análise do Greenpeace, o Prodes somou 45.612 km² entre 2019 e 2022, no governo Jair Bolsonaro, e 24.648 km² entre 2023 e 2026, queda de 45,96%.

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