Flávio Bolsonaro apaga posts em que chamava Bolsa Família de 'bolsa-farelo'
Publicações de 2011 a 2013 vieram à tona na mesma semana em que a campanha do PL prometeu regra de transição de dois anos para quem sair do programa.
Por que afeta o RS: O Bolsa Família atende famílias de baixa renda em todos os municípios gaúchos, e a proposta de regra de transição afeta diretamente esses beneficiários no estado.
Redação Bairrista · Repórter de Política · · 3 min de leitura

O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), apagou de sua conta no X publicações de 2011 a 2013 em que criticava o Bolsa Família. Em uma delas, escreveu que "o PT perpetua a pobreza com o bolsa-farelo". Na época, ele era deputado estadual no Rio de Janeiro. A exclusão veio a público nesta terça (20), cinco dias antes do segundo turno.
O Bolsa Família chega a famílias de todos os municípios gaúchos. O eleitor do RS vota no domingo (25), na disputa de segundo turno entre Flávio e o presidente Lula (PT), com o programa no centro do debate.
O que dizem os posts
As mensagens foram recuperadas de uma base histórica de tweets com texto, data e link original. Onze registros continham o termo "bolsa"; cinco foram selecionados por serem ataques a programas de assistência. Um deles, de 25 de agosto de 2011, comenta reajuste do benefício com a frase "Financiamento púb de campanha do pt!".
Em novembro de 2011, Flávio atacou o Renda Melhor, programa do governo do Rio criado em 2011, que pagava até R$ 300 a mais para famílias já inscritas no Bolsa Família. Ele escreveu ter sido o único voto contra na Assembleia Legislativa e ter chamado a proposta de "bolsa-farelo", pelo caráter clientelista eleitoral.
Na mesma época, ele disse ter apresentado emendas para limitar o benefício a dois anos. "Se houvesse o limite de tempo p/ pessoa receber o 'bolsa-farelo' poderia até ser favorável…", escreveu.
A regra de transição de dois anos
Na segunda (19), a coordenadora do núcleo econômico da campanha, Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, falou em regra de transição de dois anos. Em entrevista à CBN Bahia, ela disse que o beneficiário continuaria recebendo o valor mesmo depois de conseguir emprego e perderia o benefício só após 24 meses empregado. Quem tentasse sair e não se mantivesse no mercado de trabalho ou como empreendedor voltaria automaticamente ao programa.
Um Ministério da Prosperidade, a ser criado num eventual governo do PL, daria crédito para novos negócios e capacitação. A campanha não detalhou critérios de renda nem valores do crédito.
Hoje, no governo Lula, a transição para quem melhora de renda dura até um ano e meio. Além disso, a família tem até três anos após o desligamento para pedir retorno garantido, se a renda cair.
Campanha nega corte e não explica exclusão
Aliados de Lula passaram a usar a fala de Daniella e disseram que Flávio iria "acabar com o programa em 2 anos". A campanha negou que ele pretenda tirar beneficiários após dois anos. Em vídeo no Instagram na segunda, Flávio disse que quem recebe o Bolsa Família pode ficar "tranquilo", porque o benefício está garantido. Em reportagem de junho sobre o tema, ele havia negado que tivesse mudado de posição.
A assessoria de Flávio não informou por que as publicações foram apagadas.
O segundo turno acontece no domingo (25). Os locais de votação podem ser consultados no site do Tribunal Superior Eleitoral e no aplicativo e-Título.
Perguntas frequentes
Quando é o segundo turno da eleição presidencial no RS?
O segundo turno acontece no domingo (25), entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Onde o eleitor pode consultar o local de votação?
No site do Tribunal Superior Eleitoral e no aplicativo e-Título.
Quem recebe o Bolsa Família perde o benefício se conseguir emprego?
Hoje, a transição para quem melhora de renda dura até um ano e meio; a proposta da campanha do PL fala em dois anos após conseguir emprego.
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