EUA respondem a Sanders e 30 deputados sem garantir respeito ao resultado da eleição
Carta do Departamento de Estado mantém sanções a Moraes e a classificação de PCC e CV como terroristas, sem detalhar as provas.
Redação Bairrista · 16 de outubro de 2026 às 05:12 · 3 min de leitura

O Departamento de Estado dos EUA respondeu nesta quinta (15) à carta do senador Bernie Sanders e de 30 deputados democratas. O texto diz apoiar eleições livres e justas no Brasil, mas não assume o compromisso de respeitar o processo eleitoral. Quem assina é Katherine Bowles, secretária-assistente do Escritório de Assuntos Legislativos, e não o secretário de Estado, Marco Rubio.
Para o eleitor gaúcho, o que pesa é o que ficou de fora. A eleição presidencial brasileira está em andamento, e Washington não disse que reconhecerá o resultado das urnas, seja qual for o vencedor. A carta também não esclarece como os EUA tratam pedidos de sanção feitos por estrangeiros.
EUA prometem diálogo com o governo eleito
"Os Estados Unidos apoiam o direito do povo brasileiro a um processo eleitoral livre e justo", diz a carta, obtida pela Folha de S.Paulo. O governo Trump promete continuar o diálogo com o povo brasileiro, o setor privado e o governo eleito. As áreas citadas são segurança, comércio recíproco e investimentos.
A carta dos congressistas foi enviada a Rubio em 24 de setembro. Ela pedia que os EUA se comprometessem a respeitar o processo eleitoral e a reconhecer o resultado certificado, "independentemente de qual candidato seja escolhido". Os parlamentares fizeram perguntas sobre sete pontos. A iniciativa foi liderada pelas deputadas Delia Ramirez e Pramila Jayapal e pelo deputado Jesús "Chuy" García.
Ao menos outras duas cartas com cobranças semelhantes foram encaminhadas ao Departamento de Estado.
Sobre Moraes, EUA repetem acusações sem mostrar provas
Sobre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o Departamento de Estado repetiu a justificativa da sanção. A resposta deixou sem esclarecimento parte dos questionamentos sobre sanções a autoridades brasileiras. A pasta afirma que as medidas se baseiam em evidências documentadas de graves violações de direitos humanos.
Os EUA dizem que Moraes autorizou prisões preventivas injustificadas de condenados pelo 8 de Janeiro. Dizem também que ele adotou medidas politicamente motivadas para silenciar críticos, inclusive ordens sigilosas a plataformas digitais americanas. A Lei Global Magnitsky foi aplicada contra o ministro em julho de 2025. Os congressistas haviam pedido os critérios jurídicos e as evidências, mas o texto não os apresenta.
Sobre a análise de pedidos de sanção, o Departamento de Estado afirmou apenas que avalia as informações relevantes segundo os critérios legais e regulatórios aplicáveis. A pergunta citava estrangeiros ou agentes estrangeiros não registrados. Era uma referência à atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro junto ao governo Trump. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro está entre os envolvidos nessas articulações.
EUA citam ameaça à segurança para classificar PCC e CV como terroristas
Os democratas também questionaram a classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, anunciada em maio. Pediram uma explicação diante da oposição do governo Lula e das propostas de Brasília para ampliar a cooperação no combate ao crime organizado.
O Departamento de Estado respondeu que as facções são altamente violentas, têm milhares de integrantes e atacam policiais, autoridades e civis no Brasil. Afirma ainda que elas mantêm redes criminosas que chegam aos EUA. Segundo a carta, a decisão se baseou na gravidade da ameaça à segurança americana e da região. O texto não explica por que Washington adotou a medida apesar das objeções brasileiras.
Visto de Viotti ficou sem resposta
A carta não menciona a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti. Os congressistas haviam pedido justificativa para a medida, que chamaram de escalada incomum entre países aliados.
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