EUA avaliam liberar navios da frota-sombra a levar petróleo não sancionado
Proposta busca baixar fretes recordes de petroleiros; empresas teriam de pedir autorização ao Tesouro, e analistas veem efeito limitado.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 07:36 · 2 min de leitura

O governo de Donald Trump avalia permitir que navios da chamada frota-sombra, hoje sancionados, transportem petróleo e derivados que não estejam sob sanções americanas. Um funcionário dos EUA disse à agência Reuters, nesta quarta (14), que a ideia é reduzir os fretes marítimos, que estão em níveis recordes. Não há decisão tomada.
O que isso muda para o gaúcho, por ora, é pouco e indireto. Frete caro encarece o petróleo e os derivados no mercado internacional, e isso pode chegar aos preços de combustíveis e ao custo de transporte no RS. Uma redução dos fretes aliviaria esse quadro, mas analistas ouvidos pela Reuters não esperam queda ampla.
Como funcionaria
Pelo relato, a proposta permitiria que navios antes sancionados carreguem apenas petróleo e combustíveis sem sanção dos EUA. Petróleo russo e iraniano sancionado continua proibido. Empresas interessadas precisariam pedir autorização ao Departamento do Tesouro.
O Departamento de Energia afirmou que qualquer alívio não ajudaria a Rússia a escoar petróleo ou derivados. O Tesouro encaminhou as perguntas à pasta de Energia. O secretário de Energia, Chris Wright, citou as conversas em vídeo ao Congresso Mundial do Petróleo, em Riad, segundo a consultoria Energy Aspects.
Fretes em níveis inéditos
Segundo dados do Baltic Exchange citados pela Reuters, fretar um superpetroleiro (VLCC) da Costa do Golfo dos EUA até a China custava US$ 634.974 por dia em 12 de outubro. O recorde, de mais de US$ 637 mil por dia, foi em 8 de outubro. Esse custo reduz a demanda por petróleo americano.
Na rota do Oriente Médio para a China, a consultoria Kpler calculou frete recorde de US$ 28,28 por barril em setembro. A alta ocorre em meio à guerra no Irã e aos ataques a navios na região do Estreito de Ormuz.
Efeito esperado é pequeno
A Energy Aspects avalia que a medida não mexeria muito nos fretes. A consultoria diz que a maior parte dos petroleiros sancionados por ligações com Rússia ou Venezuela continuou operando nos últimos três meses. O alívio poderia liberar poucos navios extras para viagens curtas por Ormuz. Seguradoras seguiriam presas às regras da União Europeia e do Reino Unido.
O petróleo Brent recuou cerca de 1,5% nesta quinta (15), para perto de US$ 104,4 o barril, após a notícia. A proposta também enfrenta resistência política: a liberação temporária do diesel russo pelos EUA, até 7 de abril de 2027, já foi criticada pelo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky.
A Casa Branca não detalhou critérios, prazos ou o tipo de licença que o Tesouro usaria.
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