EUA avaliam liberar frota-sombra para petróleo lícito; Brent fica perto de US$ 104
Empresas teriam de pedir autorização ao Tesouro americano, e não há decisão nem prazo; a Petrobras segue com diesel bem abaixo do preço de importação.
Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 23:52 · 3 min de leitura

TÍTULO: EUA avaliam liberar frota-sombra para petróleo lícito e baixar frete recorde
LINHA FINA: Empresas teriam de pedir autorização ao Tesouro americano, e não há decisão nem prazo; a Petrobras segue com diesel bem abaixo do preço de importação.
O governo de Donald Trump avalia flexibilizar sanções a navios da chamada frota-sombra para que transportem petróleo e derivados que não estejam sob sanção americana. Segundo um funcionário dos EUA ouvido pela Reuters, o objetivo é reduzir os fretes globais, que estão em nível recorde. A medida ainda não foi decidida, e nenhum prazo foi divulgado.
Para o leitor gaúcho, o efeito direto é incerto. O frete marítimo pesa no custo do diesel importado, e o Brasil importa entre 20% e 30% do que consome. Mas o preço nas refinarias da Petrobras segue a política da estatal, não o petróleo do dia.
Empresas teriam de pedir aval ao Tesouro
A proposta não é uma liberação geral. Empresas que quisessem usar os navios sancionados teriam de pedir autorização ao Departamento do Tesouro dos EUA. "Petróleo lícito" significa cargas que Washington não sanciona, e não o petróleo russo e iraniano, que seguem sob punição.
O Departamento de Energia disse que qualquer alívio não ajudaria a Rússia a movimentar petróleo ou derivados. Segundo a consultoria Energy Aspects, o secretário de Energia, Chris Wright, citou as discussões em vídeo ao Congresso Mundial do Petróleo.
A discussão vem na esteira de outra decisão. Trump anunciou em 9 de outubro um acordo com a Rússia para fornecer diesel russo aos mercados americano e global, com sanções parcialmente suspensas. A medida foi criticada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e por alguns senadores republicanos.
Analistas veem efeito limitado no frete
O Brent chegou a US$ 104,91 por barril na quinta (15), queda de 1,1% no meio do dia, segundo a Reuters. Parte da reação veio da expectativa de frete menor e de mais flexibilidade para embarques de diesel.
Fontes do setor marítimo ouvidas pela agência avaliam que o ganho seria pequeno. A medida poderia liberar poucos petroleiros extras para viagens curtas pelo Estreito de Ormuz, mas dificilmente derrubaria os fretes de forma geral. As seguradoras ainda teriam de cumprir as regras da União Europeia e do Reino Unido.
A consultoria Energy Aspects também vê pouca diferença. Segundo ela, a maioria dos navios sancionados por ligações com a Rússia ou a Venezuela negociou ativamente nos últimos três meses.
Diesel da Petrobras está 102% abaixo da paridade, calcula Abicom
A Petrobras vende diesel muito abaixo do que custaria importar. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) fez o cálculo com base em 28 de setembro, com Brent acima de US$ 105. A defasagem no diesel foi de 102%, ou R$ 3,34 por litro. Na gasolina, a estimativa foi de 32%, ou R$ 0,95 por litro.
Com essa folga, uma queda moderada do petróleo ou do frete tende a reduzir a defasagem, não o preço na refinaria. Quem sente primeiro é o importador, que compra diesel a preço internacional. O reflexo em postos e no frete rodoviário gaúcho depende de a Petrobras mexer ou não nos preços.
Congresso e aliados europeus devem resistir
Analistas avaliam que qualquer decisão deve enfrentar pressão do Congresso americano e de aliados europeus, por causa da reação ao diesel russo.
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