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Estudos nos EUA e na Austrália apontam baixa produção de leite em 10% a 20% das mães

Pesquisadores ligam o problema a células da glândula mamária e à inflamação crônica; no Brasil, 45,8% dos bebês até 6 meses mamam só no peito.

Redação Bairrista · 15 de outubro de 2026 às 23:31 · 2 min de leitura

Foto de divulgação sobre amamentação e baixa produção de leite materno, tema de estudos nos EUA e na Austrália
Foto: Divulgação/Www

Pesquisas feitas nos últimos anos com centenas de mulheres nos Estados Unidos e na Austrália indicam que de 10% a 20% das mães produzem pouco leite, segundo análise da revista The Economist. Médicos presumiam que o problema atingia no máximo 5%.

Para quem tenta amamentar no RS, a mudança está no olhar. Em muitos casos, a causa seria biológica, e não falta de esforço da mãe. Os cientistas ouvidos pela revista dizem que isso deve reduzir o estigma sobre quem não consegue produzir o suficiente.

Células da mama e placenta estão no centro das pesquisas

No centro da discussão estão os lactócitos, células da glândula mamária que se multiplicam na gravidez e começam a secretar leite cerca de três dias após o parto. Algumas mulheres teriam poucos lactócitos. Outras teriam células que secretam pouco leite.

A equipe de Lindsay Hinck, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, publicou um estudo na Nature Communications em 17 de abril de 2024. O trabalho identifica uma enzima que favorece a formação de mais células produtoras de leite. Chamada WEE1, ela entra em ação quando a célula sofre danos com a cópia acelerada do DNA, processo que a gravidez exige para formar o estoque de leite.

Os experimentos foram feitos em camundongos. Hinck afirma que a deficiência de WEE1 também pode explicar a falta de lactócitos em mulheres, mas isso ainda não foi demonstrado.

Rachel Walker, da Universidade Estadual da Pensilvânia, testa outra hipótese: a de que danos à placenta, que produz hormônios da lactação, reduzam o leite. Ela estuda placentas de mães em Uganda. Os estudos em animais que sustentam essa ideia são preliminares.

Inflamação crônica aumenta o risco

Obesidade, diabetes e doenças autoimunes causam inflamação crônica, que pode impedir que gorduras do sangue cheguem ao leite. A pré-eclâmpsia, que atinge cerca de 4% das mulheres, também entra na lista. Entre as mulheres com algumas dessas condições, até metade pode ter baixa produção, segundo a análise.

Outros fatores seguem em debate. Estudos apontam seios mais afastados que a média, e há pesquisas que sugerem influência da obesidade no início da vida. Yarden Golan Maor, pesquisadora de produção de leite humano na Universidade Cornell, define esses pontos como "especulação" por enquanto.

Um sinal considerado claro de baixa produção é o bebê que não ganha peso suficiente mesmo com mamadas frequentes ou uso de bomba tira-leite.

Sul tem a maior taxa de aleitamento exclusivo do país

O Brasil não tem estimativa própria de baixa produção. O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (ENANI-2019), da UFRJ, avaliou 14.558 crianças em 12.524 domicílios. No país, 45,8% dos bebês com menos de 6 meses recebiam só leite materno. A Região Sul teve a maior taxa, de 54,3%. A meta da OMS para 2030 é de 70%.

No RS, o Banco de Leite Humano do Hospital Universitário da Furg, em Rio Grande, orienta mulheres com dificuldade para amamentar e processa leite doado para recém-nascidos internados.

Perguntas frequentes

Quantas mães produzem pouco leite?

Pesquisas nos EUA e na Austrália indicam que de 10% a 20% das mães produzem pouco leite. Médicos presumiam que o problema atingia no máximo 5%.

Quais condições podem causar baixa produção de leite?

Obesidade, diabetes, doenças autoimunes e pré-eclâmpsia, que causam inflamação crônica. Entre as mulheres com algumas dessas condições, até metade pode ter baixa produção.

Como saber se o bebê não está recebendo leite suficiente?

Um sinal considerado claro é o bebê que não ganha peso suficiente mesmo com mamadas frequentes ou uso de bomba tira-leite.

Quantos bebês brasileiros mamam só no peito até os 6 meses?

Segundo o ENANI-2019, da UFRJ, 45,8% dos bebês com menos de 6 meses recebiam só leite materno. A Região Sul teve a maior taxa, de 54,3%.

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