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EducaçãoPlanalto Médio

Estudo em Passo Fundo vê sintomas de ansiedade em 46,3% de alunos de 11 a 14 anos

Sintomas de depressão aparecem em 26,2% dos 374 estudantes avaliados; psicólogas da URI/FW orientam famílias e escolas a observar mudanças que persistem.

Redação Bairrista · Repórter de Educação · · 3 min de leitura

Ilustração do Bairrista sobre: Soft-focus view of a quiet school corridor with lockers and natural light from tall windows, a teenager in a school uniform seen from behind
Ilustração: Bairrista

Um estudo feito em escolas de Passo Fundo, no Planalto Médio, avaliou 374 estudantes de 11 a 14 anos. Entre os participantes, 46,3% apresentaram sintomas de ansiedade e 26,2% sintomas de depressão. Nesta terça (20), psicólogas da URI/FW voltaram ao tema com orientações para pais e professores.

Para quem tem filho ou aluno nessa faixa etária, o recado é prestar atenção ao que dura. Segundo as especialistas, isolamento, perda de interesse em atividades que antes davam prazer, crises frequentes de choro, mudanças no sono e no apetite e medo excessivo de críticas merecem atenção. O que pesa é a duração e o impacto na rotina.

Sintomas não são diagnóstico

Os percentuais do estudo se referem a sintomas, não a diagnósticos clínicos. A pesquisa é um estudo transversal de base escolar, feito em Passo Fundo. Os autores investigaram a prevalência de sintomas em adolescentes de 11 a 14 anos e a relação com a funcionalidade familiar e com as redes de apoio social.

Para isso, usaram um formulário online com o perfil dos participantes, o mapa de rede de Sluzki para medir o apoio social e o APGAR familiar para avaliar a funcionalidade da família. O artigo está assinado por Fioreze, Dias, Dóri, Bregolin e Comin e saiu na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde, em 2026.

Um dos achados liga os sintomas ao círculo de convivência. Adolescentes com esses sintomas tinham menos familiares próximos e mais pessoas distantes em sua rede social. Os autores também observaram que os meninos mantêm mais relações próximas. A conclusão aponta alta prevalência de ansiedade e de depressão entre os estudantes e pede novas investigações.

O que as psicólogas recomendam

A psicóloga Cláudia Reis Flores, professora de Psicologia da URI/FW, afirma que a ansiedade resulta de fatores biológicos, psicológicos, familiares, sociais e ambientais. Ela cita o ritmo acelerado, a cobrança por produtividade e a comparação nas redes sociais como fontes de sobrecarga para os jovens.

Eliane Cadoná, coordenadora do curso de Psicologia da URI, diz que o sofrimento não deve ser tratado de forma isolada, sem considerar o contexto do adolescente. Minimizar os sentimentos ou exigir que o jovem resolva tudo sozinho, segundo ela, pode afastá-lo da ajuda.

As orientações práticas para as famílias são:

  • ouvir sem julgar e sem minimizar o que o filho sente;
  • evitar cobranças excessivas;
  • manter contato com a escola para identificar mudanças de comportamento;
  • procurar ajuda profissional quando o sofrimento persistir.

As especialistas lembram que esses sinais não significam, por si sós, um transtorno mental. Quando a ansiedade compromete estudos, sono e relações, indicam avaliação psicológica e, se necessário, psiquiátrica. A escola tem papel na identificação dos sinais e no encaminhamento, em parceria com a família e com profissionais da saúde.

Serviço

Em caso de autolesão ou de falas sobre suicídio, as especialistas orientam buscar ajuda especializada de imediato. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, a qualquer hora. Se houver risco imediato, a orientação é ligar para o Samu (192) ou ir a uma unidade de pronto atendimento, sem deixar a pessoa sozinha. O artigo completo está aberto para leitura no site da SciELO.

Perguntas frequentes

Quais sinais de ansiedade merecem atenção em adolescentes?

Isolamento, perda de interesse em atividades antes prazerosas, crises frequentes de choro, mudanças no sono e apetite e medo excessivo de críticas. O que pesa é a duração e o impacto na rotina.

Os percentuais do estudo são diagnósticos?

Não. Os 46,3% de ansiedade e os 26,2% de depressão se referem a sintomas, não a diagnósticos clínicos.

Onde buscar ajuda em caso de autolesão ou fala sobre suicídio?

Buscar ajuda especializada de imediato. O CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, a qualquer hora. Em risco imediato, ligar para o Samu (192) ou ir a uma unidade de pronto atendimento.

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