Estudo da UFV com setor de defensivos projeta perda de 55% na soja sem controle de pragas
Simulação feita com a CropLife Brasil calcula 32 sacas por hectare sem proteção e estima impacto de 0,26 ponto percentual no IPCA.
Redação Bairrista · Repórter de Agro · · 2 min de leitura

Uma simulação da Universidade Federal de Viçosa (UFV), feita em cooperação com a CropLife Brasil, estima que a soja brasileira perderia até 55% da produtividade sem controle de pragas, doenças e plantas daninhas. Com controle ótimo, o rendimento chega a 72 sacas por hectare. O manejo parcial garante 52 sacas, e a ausência de controle derruba a colheita para 32.
O estudo fez 10 mil simulações por estado, mas só divulgou números nacionais, sem recorte para as lavouras gaúchas.

Quem está por trás do estudo
A CropLife Brasil representa as empresas de insumos, e a Agência Brasil a descreve como associação de empresas de biotecnologia, melhoramento genético e defensivos agrícolas. A parceria com a UFV prevê estudos sobre outras culturas.
O pesquisador-chefe é Emerson Del Ponte, docente da UFV e doutor em Fitopatologia. Participaram também especialistas em Entomologia e Herbologia. O projeto combinou dados oficiais de produção, informações sobre pragas e doenças e modelos de dano da literatura científica, com simulações estocásticas.
Do campo ao preço do óleo e do leite
Sem controle, a produção brasileira cairia em média 121,3 milhões de toneladas, com impacto de 0,26 ponto percentual no IPCA. O valor da produção perdida chegaria a R$ 223,5 bilhões. No cenário mais crítico, a oferta recuaria cerca de 65% nos principais estados avaliados, e o preço da soja poderia subir até 49%.
Para o repasse aos alimentos, Del Ponte explica que a equipe usou elasticidades calibradas com dados do Cepea, da Esalq/USP. Uma alta de 10% na soja se traduziria em 4,6% no óleo de soja, 1,7% no leite e 1,1% nos ovos. Para repor o volume perdido, seriam necessários 33,5 milhões de hectares adicionais, área equivalente à de Goiás.
Segundo a análise da AgroRevenda, os resultados são estimativas de modelagem, sem equivalência direta com perdas observadas ou aumentos de preço que necessariamente ocorrerão.
O outro lado: defensivos e saúde
A Agência Brasil lembra que o uso de defensivos químicos é controverso, porque algumas substâncias são nocivas ao meio ambiente e à saúde humana, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Pelo mesmo levantamento, a soja, junto com o milho e a cana-de-açúcar, responde por 76% do consumo de agrotóxicos no país.
O coordenador de Sustentabilidade da CropLife, Pedro Duarte, afirmou que o setor se preocupa com a segurança dos produtos. Segundo ele, um defensivo químico passa por muitos estudos para ser aprovado no Brasil, e o setor investe muito para garantir a segurança quando o produto é aplicado conforme as recomendações.
Os próximos estudos da parceria entre UFV e CropLife devem tratar de outras culturas importantes para a agricultura brasileira.
Saber mais: fontes consultadas (5)
- Agência Brasil, Estudo mostra necessidade de proteger soja para evitar perdas
- CNN Brasil, Sem controle de pragas na soja, perdas seriam de R$ 223,5 bi, diz estudo
- Canal Rural, Estudo estima alta de até 49% na soja sem manejo fitossanitário
- A Lavoura (conteúdo da CropLife Brasil), Estudo aponta que ausência de controle fitossanitário na soja pode pressionar inflação
- AgroRevenda, Falta de manejo na soja pode afetar preço dos alimentos
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